Maturidade das raparigas e as ligações cerebrais

Estudo publicado na revista “Cerebral Cortex”

26 dezembro 2013
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Investigadores do Reino Unido descobriram que a reorganização das ligações que o cérebro faz ao longo da vida é iniciada mais cedo nas raparigas, o que poderá explicar por que motivo estas amadurecem mais cedo, refere um estudo publicado na revista “Cerebral Cortex”.

 

À medida que se envelhece, ocorrem reorganizações no cérebro que reduzem as ligações cerebrais. Neste estudo, os investigadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, constataram que enquanto a maioria das ligações sofrem modificações, as ligações de longa distância que são cruciais para a integração ficam preservadas.

 

“As ligações de longa duração são difíceis de estabelecer e manter, mas são cruciais para um processamento rápido e eficaz. Se pensarmos numa rede social, é provável que os amigos mais chegados forneçam informações similares (…). Contudo, se pensarmos em pessoas de cidades ou países diferentes é provável que estas forneçam informações distintas. Da mesma forma, alguma da informação que flui num módulo do cérebro pode ser redundante enquanto outras não”, referiu, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Marcus Kaiser.

 

O comunicado de imprensa da Universidade refere que neste estudo foram avaliados os resultados de ressonâncias realizadas a 121 indivíduos saudáveis que tinham idades compreendidas entre os quatro e os 40 anos de idade, uma vez que a grandes alterações nas ligações cerebrais podem ser observadas durante este período de maturação do cérebro.

 

Através de uma técnica imagiológica não invasiva, os investigadores demonstraram que as fibras são “podadas” ao longo deste período. Contudo, foi verificado que nem todas as projeções, ligações de longa distância, estabelecidas entre as regiões cerebrais eram afetadas da mesma forma.

 

O estudo apurou que as projeções que se mantêm preservadas são aquelas que estão envolvidas em diferentes módulos de processamento, como a visão e o som, e permitem uma transferência de informação mais rápida e um processamento síncrono. Na verdade tem-se observado alterações nestas ligações em muitas doenças cerebrais como o autismo, epilepsia e esquizofrenia.

 

Os investigadores também demonstraram que a perda de fibras de substância branca entre as regiões cerebrais é um processo altamente seletivo. Foi observado que as ligações entre regiões distantes do cérebro, entre os hemisférios cerebrais e entre os módulos de processamento perdem menos fibras nervosas durante o processo de maturação do que o esperado. Estes resultados poderão explicar como a rede cerebral se mantem estável durante o processo de maturação.

 

Relativamente ao facto destas alterações ocorrerem mais cedo nas mulheres do que nos homens, a primeira autora do estudo, Sol Lim, refere que a perda de conetividade durante o desenvolvimento do cérebro pode, na verdade, ajudar a melhorar a função cerebral através de uma reorganização da rede neuronal mais eficaz. A redução de algumas projeções pode na verdade ajudar o cérebro a focar-se na informação essencial”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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