Maternidade tardia: uma escolha egoísta?

Estudo conduzido pela University of Huddersfield

06 setembro 2012
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Está convencionado pela medicina que a idade de mais risco para uma primeira gravidez situa-se nos 35 anos, sendo que este marco tem progressivamente vindo a aumentar para os 40 anos. É também muitas vezes dito que as mulheres que escolhem uma idade tardia para serem mães pela primeira vez o fazem por uma questão de egoísmo.
 

No entanto, segundo a psicóloga Kirsty Budds, as mulheres que se tornam mães pela primeira vez numa idade mais tardia não o fazem necessariamente em consequência de uma escolha de estilo de vida (devido à carreira profissional ou ao desejo de terem uma e outra coisa).
 

Os meios de comunicação social alertam também para os riscos que a maternidade numa idade tardia pode trazer para a saúde. “ É como se sugerissem que ao escolherem ter bebés mais tarde, estas mulheres põem-se voluntariamente em risco, fazendo o mesmo aos seus filhos”, comenta Kirsty Budds. A autora espera com o seu trabalho conseguir difundir uma visão mais equilibrada da maternidade em idade tardia.
 

O trabalho científico mais recente desta psicóloga da Univesity of Huddersfield, Reino Unido, intitulado "Critical Discursive Analysis of 'Delayed' Motherhood", foi apresentado numa conferência organizada pela British Psychology Society na University of St Andrews, na Escócia. “ Desagrada-me o termo “delayed” (adiado) porque sugere poder de decisão e escolha”, afirma a investigadora.
 

“Os jornais pressupõem que as mulheres “escolhem” adiar a maternidade devido a razões profissionais, o que sugere egoísmo”, esclarece Kirsty Budds. “Da mesma forma, a ansiedade que se gera relativamente ao facto de as mulheres poderem colocar a carreira à frente da maternidade demonstra o quão imperativa é a maternidade – na nossa sociedade a maternidade é considerada como sendo mais importante para as mulheres do que qualquer outra ocupação, e acha-se que estas devem dar prioridade à mesma. Além disso, a comunicação social transmite uma negatividade em relação ao facto de as mulheres poderem conseguir tudo”, continua.
 

A investigadora conduziu uma série de entrevistas a mães mais velhas e concluiu que, ao contrário do que se pensa, estas mães não experienciam a maternidade, em termos qualitativos, de forma diferente das mães mais jovens. A investigadora descobriu também que a transição para a maternidade é semelhante para qualquer mulher, seja qual for a sua idade.
 

A investigadora conclui que “para muitas mulheres esta escolha não é egoísta, mas sim o resultado de decisões ponderadas, de negociações ponderadas e de circunstâncias de vida, tal como ter o parceiro certo e uma situação financeira ideal. Estas mulheres estão efetivamente a tentar encontrar, de forma responsável, as circunstâncias ideais para terem filhos, o que é encorajado de um ponto de vista social, mas depois criticado porque estão a tê-los mais tarde, quando é mais arriscado”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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Maternidade tardia

A maternidade tardia não será uma forma egoista de abraçar a maternidade, mas sim responsável, atendendo a que é necessário dedicar tempo ao nosso bébé, alimentá-lo e proporcionar-lhe todo o conforto possível e de acordo com a exigência actual.
Embora em alguns casos possa ser também uma questão de condição física, também, na qual se aguarda um melhor estado do corpo para poder gerar um bébé mais saudável.
Hoje em dia o acompanhamento possível numa gravidez vai atenuar o risco aparentemente potencializado pela idade.
A maternidade é sempre a melhor opção desde que consciente.

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