Maternidade e cancro: um desafio para a medicina

Declarações do diretor do Serviço de Ginecologia do IPO de Coimbra

16 abril 2012
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Cada vez mais mulheres com cancro desejam ser mães, o que coloca “grandes desafios” aos médicos, que têm de equacionar um tratamento que não ponha em causa a fertilidade, dá conta o diretor do Serviço de Ginecologia do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra.

 

“Por força da sua vida profissional, a mulher deixar o projeto de ser mãe para mais tarde”, revelou à agência Lusa Daniel Pereira da Silva.

 

De acordo com o especialista o “aumento da incidência do cancro da mama em mulheres jovens, resultante do diagnóstico precoce (que, em conjunto com a melhoria dos tratamentos, tem permitido baixar a taxa de mortalidade), coloca um novo tipo de problemas”.

 

“A quimioterapia, cada vez mais usada para um leque de tumores, dependendo das substâncias, pode comprometer definitivamente o potencial de fertilidade da mulher”, explicou, considerando estar em causa uma “questão nova e muito pertinente” para os especialistas.

 

Daniel Pereira da Silva revelou que há tratamentos hormonais que podem prejudicar o combate ao cancro e mesmo a contraceção hormonal “pode ser usada num certo tipo de tumores mas noutros, como o da mama, já não”.

 

“A interação da pílula com os tratamentos tem de ser equacionada, e encontrar o melhor tratamento que permita preservar o ovário é também um desafio”, disse, acrescentando que “há técnicas, como a preservação do tecido ovário para ser reimplantado (após os tratamentos), mas ainda não devidamente aferidas”.

 

O cancro mais comum entre as mulheres (não considerando o da pele) é o da mama, sendo detetados por ano em Portugal cerca de 4500 novos casos, de acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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