Mastigar pastilha elástica melhora a memória

Segredo está mesmo na mastigação

14 março 2002
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Desde pequenos que nos habituamos a ouvir reprimendas por mastigar pastilhas elásticas. Na verdade, durante décadas, esse hábito foi visto por pais e educadores como algo prejudicial e de mau gosto. Mas, agora, um novo estudo poderá mudar esta ideia.
 

 

Cientistas britânicos da Universidade de Northumbria comprovaram que mastigar pastilhas tem um efeito positivo para o processo do pensamento e da memória.
 

 

As conclusões da investigação, apresentadas na Conferência Anual da Sociedade de Psicologia da Grã-Bretanha, em Blackpool, referem que este hábito atinge, de modo positivo, as funções cognitivas. “Os resultados foram extremamente claros e descobrimos especificamente que o acto de mastigar pastilha elástica atinge a memória", disse Andrew Scholey, da Unidade de Neurociência Cognitiva Humana da universidade.
 

 

Isto porque, adianta o cientista, “as pessoas que participaram na experiência lembravam-se de mais palavras e saíram-se melhor em testes sobre o funcionamento da memória."
 

 

Se está interessado em comprovar esta teoria, fique a saber, que segundo o estudo, não interessa o sabor das pastilhas, pois o segredo é mesmo o movimento repetitivo da mastigação.
 

 

Mais mastigação, mais oxigénio
 

 

Neste momento deve estar a perguntar o porquê destas conclusões tão surpreendentes e até revolucionárias do ponto de vista social. É que, segundo o cientista, o melhor desempenho dos «mastigadores» avaliados em testes de memória pode ser atribuído ao aumento no batimento cardíaco combinado com um aumento de insulina no cérebro.
 

 

As experiências envolveram 75 pessoas divididas em grupos classificados como “não-mastigadores”, “mastigadores” e “falsos- mastigadores”.
 

 

Antes de serem submetidos ao teste de 25 minutos, os dois grupos de “mastigadores” passaram três minutos com uma pastilha na boca e uma imitação desta para o grupo dos “falsos-mastigadores”.
 

 

Depois disso, os testes incluíam questões ligadas à memória a curto prazo, como por exemplo a capacidade de se lembrar de palavras e imagens, e um jogo de memória, como, por exemplo, a capacidade da pessoa em armazenar números de telefone.
 

 

No fim dos exames, os “mastigadores” tinham três batimentos cardíacos por minuto a mais que aqueles não mastigaram e mais 1,5 batidas por minuto em relação aos que usaram a falsa pastilha.
 

 

Por isso, segundo o especialista, o mistério da mastigação reside no facto de aumentar a frequência cardíaca e a insulina que chega ao cérebro. E explica: “O aumento moderado na frequência cardíaca pode melhorar o fornecimento de oxigénio e de glicose para o cérebro, o que é suficiente para melhorar a função cognitiva”.
 

 

Outra das possibilidades, segundo o investigador, é o facto de a pastilha elástica poder induzir um aumento de insulina devido à salivação (água na boca ) como acontece quando aguardamos pela refeição. Scholey, no entanto, faz questão de relembrar que já se sabia da existência de receptores de insulina em áreas do cérebro que são importantes para a aprendizagem e memória.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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