Maquinaria de ataque das bactérias desvendada

Estudo publicado na revista “Nature Chemical Biology”

07 agosto 2013
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Investigadores americanos desmantelaram, peça por peça, a estratégia de ataque adotada por determinadas bactérias, como a Staphylococcus aureus, para atingir o hospedeiro, refere um estudo publicado na revista “Nature Chemical Biology”.
 

O estudo conduzido pelos investigadores da École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça, refere que algumas bactérias têm a capacidade de perfurar a membrana das células do hospedeiro. O sucesso deste ataque, em nano escala, é dependente de um conjunto de proteínas que, no momento adequado, tomam a forma de um esporão.
 

Para que este ataque seja iniciado, a “arma” tem de se ligar às células do hospedeiro. Na sua superfície as bactérias têm um mecanismo composto por sete proteínas que se associam em forma de anel. Com o tempo estas longas moléculas adquirem a forma de esporão. O “gatilho” desta pequena arma é constituído por um peptídeo que, quando exposto às enzimas do organismo hospedeiro, se separa. Assim, estas proteínas começam por adotar uma nova forma, uma estrutura em esporão que é capaz de atravessar as células do hospedeiro.
 

O coautor do estudo, Matteo Dal Peraro, refere que estas pequenas armas biológicas não envolvem qualquer reação química e que este é de facto um fenómeno mecânico. Neste estudo os investigadores utilizaram estirpes de uma bactéria, a Aeromonas hydrophila, conhecida entre os viajantes pelos distúrbios intestinais que podem causar. Os investigadores foram capazes de despoletar a formação destes dardos, através da exposição das bactérias a enzimas digestivas.
 

Uma outra autora do estudo, Gisou Van der Goot, revelou que esta descoberta fornece assim novas perspetivas terapêuticas, nomeadamente para os casos de infeções nosocomiais por Staphylococcus. “Poderemos formular cateteres cobertos destes peptídeos, o que poderá impedir a formação da estrutura em anel e consequentemente em esporão. Desta forma poderiam ser evitadas muitas infeções hospitalares”.
 

A ideia é as armas das bactérias serem o alvo dos tratamentos e não as bactérias em si. Esta abordagem é particularmente interessante numa altura em que a múltipla resistência aos antibióticos é cada vez mais comum.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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