Mapa da sobrevivência dos idosos na Europa

Estudo publicado no “Journal of Epidemiology and Community Health”

19 fevereiro 2016
  |  Partilhar:

O norte da Espanha, nordeste da Itália, e sul e oeste da França são as regiões da Europa onde os idosos têm uma vida mais prolongada, dá conta um estudo publicado no “Journal of Epidemiology and Community Health”.


O estudo levado a cabo pelos investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), e ao qual a agência Lusa teve acesso, conclui que o Reino Unido tem mesmo a maior concentração de população nas regiões onde a idade de sobrevivência é mais baixa.


No estudo, os investigadores traçaram um mapa com o cenário de sobrevivência no continente europeu durante os últimos 20 anos, tendo encontrado grandes variações na sobrevivência dos idosos dos diferentes países.


O estudo baseou-se nos censos, na taxa de sobrevivência ao fim de 10 anos da população na faixa etária de 75 a 84 anos de idade, para avaliar os que atingem a faixa de 85 a 94 anos de idade.


Uma das autoras do estudo, Ana Isabel Ribeiro, referiu à agência Lusa, que “o mais provável é que os padrões observados resultem da combinação de dois fatores: a pobreza, que explica a baixa longevidade em Portugal, sul de Espanha e de Itália, ou nas regiões pós-industriais, por exemplo; ou comportamentos pouco saudáveis, como o tabaco ou má alimentação, que explicariam a baixa taxa de sobrevivência em determinadas áreas como a Escandinávia ou a Holanda”.


A líder da investigação, Fátima Pinto, referiu que, tendo em conta que a idade de sobrevivência contribui para os cálculos de esperança de vida das regiões, “estes dados acabam por ser muito importantes para a gestão das dinâmicas sociais numa Europa envelhecida”.


Em média, a proporção de população compreendida entre os 75 e os 84 anos em 2001 que sobreviveu mais 10 anos foi de 27% para os homens e 40% para as mulheres. Em 2011, o rácio de sobrevivência aumentou consideravelmente, atingindo 34% para os homens e 47% nas mulheres.


No entanto, existe uma grande diferença geográfica na taxa de sobrevivência nos dois períodos. Em 2001 havia 27 regiões onde uma maior proporção de homens sobrevivia até 85 a 94 anos e 31 regiões onde a proporção era mais baixa (abaixo dos 21%).


Os locais onde os homens idosos tiveram a vida mais prolongada foi em Salamanca, Andorra e Genebra. Pelo contrário, Glasgow, Manchester, Liverpool, ou Londres (todas no Reino Unido), assim como as áreas industriais de mineração no norte de França, foram as áreas onde a taxa de sobrevivência dos homens idosos foi mais baixa.


Em 2011 o cenário foi ligeiramente diferente. As regiões com taxa de sobrevivência elevada nos homens eram já 49; as de baixa taxa de sobrevivência eram 24. Em termos geográficos, as áreas de elevada sobrevivência em 2001 mantiveram-se as mesmas e a estas juntaram-se o oeste e o sul da França.


No caso das mulheres, em 2001, verificou-se uma taxa de sobrevivência elevada (acima dos 48%) em 45 regiões e apenas 35 onde a taxa era baixa (abaixo dos 32%).


Geograficamente, a distribuição é muito similar à dos homens com variação positiva no nordeste de Itália, e negativa no sul de Espanha, região de Nápoles e Sicília. Por sua vez, em 2011 já eram 102 as regiões com elevada taxa de sobrevivência (acima dos 56%), mas o número com taxa muito baixa (abaixo do 39%) também aumentou para 50.


De acordo com os investigadores existem muitos fatores que influenciam a idade de sobrevivência dos idosos, nomeadamente fatores genéticos, estilos de vida, poluição, assim como o acesso a cuidados de saúde. Uma das causas mais frequentes no desfecho destes casos, acima dos 85 anos, são as doenças cardiovasculares, responsáveis por quatro em cada dez mortes no espaço europeu.


ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.