Mapa da resistência humana ao VIH foi criado

Estudo publicado na revista “eLife”

01 novembro 2013
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A chave para o futuro tratamento do VIH pode estar escondida nos nossos genes. O estudo publicado na revista “eLife” dá conta do primeiro mapa de resistência humana ao VIH, o qual irá ajudar no desenvolvimento de tratamentos individualizados.
 

O sistema imunológico está constantemente a desenvolver estratégias para se defender contra o VIH. Infelizmente, o genoma do vírus também se altera rapidamente, a uma taxa de milhões de mutações por dia. Na maioria dos casos, o patogénio encontra uma estratégia eficaz através da seleção natural.
 

Contudo, o vírus dá por vezes de caras com um oponente forte. Apesar do vírus resistir, a sua capacidade de se replicar fica comprometida. “O vírus sobrevive mas replica-se mais lentamente, neutralizando de certa forma a sua capacidade de destruição”, referiu, o coautor do estudo Jacques Fellay.
 

Através do estudo de estirpes de VIH que vivem no hospedeiro humano, os investigadores conseguiram identificar mutações genéticas específicas. Estas são como cicatrizes que testemunham os ataques específicos lançados pelo sistema imunológico. Mas quais são os genes humanos envolvidos nestas estratégias de defesa, ou aqueles que aumentam resistência contra o VIH ou que ainda aumentam a nossa vulnerabilidade?
 

De forma a tentar responder a estas questões os investigadores da Escola Politécnica de Lausana e do Hospital Universitário do cantão de Vaud, na Suíça, desenvolveram um mapa da resistência humana ao VIH, tendo para tal estudado várias estirpes de VIH provenientes de 1.071 indivíduos seropositivos. Posteriormente cruzaram 3.000 possíveis mutações do genoma do vírus com seis milhões de variações dos genomas dos pacientes. Com o auxílio de um "supercomputador", foram estudadas todas as combinações possíveis e identificada a correspondência entre os pacientes.
 

Este novo e indireto método permitiu obter, até à data, a visão mais global dos genes humanos e das suas implicações no que diz respeito à resistência do VIH. De acordo com os investigadores, o método permitiu não só obter um maior conhecimento sobre como o nosso organismo se defende contra os ataques, mas também como o vírus se adaptou aos nossos mecanismos de defesa.
 

“Agora temos de facto uma base de dados que nos indica quais as variações genéticas que irão induzir uma determinada mutação no vírus”, explicou um dos autores do estudo Amalio Telenti.
 

De acordo com os autores do estudo, estes resultados têm duas implicações importantes. Uma delas diz respeito ao desenvolvimento de novas terapias, que explorem as defesas naturais do hospedeiro, particularmente aquelas que reduzem a replicação do vírus. Adicionalmente os investigadores esperam que, através do perfil do genoma dos indivíduos infetados, seja possível desenvolver tratamentos individualizados que tenham em conta as fragilidades ou os pontos fortes do genoma do paciente.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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