Mão robotizada promissora para tetraplégicos

Estudo publicado na “The Lancet”

20 dezembro 2012
  |  Partilhar:

Uma mulher tetraplégica conseguiu levar um chocolate à boca com a ajuda de uma mão robotizada comandada pelo próprio cérebro, revela um estudo conduzido por uma equipa de investigadores da University of Pittsburgh School of Medicine, EUA.
 

Jan Scheuermann, de 52 anos, foi há 13 anos diagnosticada com degeneração espinocerebelar, uma doença que deteriora progressivamente as ligações entre o cérebro e os músculos, ao ponto de a paciente ter ficado totalmente incapaz de mover as pernas e os braços.
 

Após ter sido considerada apta para ser submetida ao estudo, os investigadores colocaram dois microeléctrodos nas regiões do cérebro da paciente que normalmente controlariam os movimentos do braço e mão direitos.
 

Os microeléctrodos no cérebro de Jan estavam ligados à mão robotizada. Após este procedimento a paciente passou por um período de formação de 14 semanas para aprender a utilizar a mão robotizada.
 

Jan tornou-se capaz de movimentar livremente a mão, sem ajuda do computador, logo no segundo dia de formação. Com o passar do tempo conseguiu executar mais de 91% das tarefas indicadas para avaliar a sua capacidade de controlar a mão, sendo estas realizadas 30 segundos mais rapidamente do que no início da formação.
 

Segundo o autor do estudo, Andrew Schartz, a rápida adaptação da paciente à mão robotizada foi devida a uma nova forma de ligar o cérebro à mão. “Um dos grandes desafios do desenvolvimento de próteses comandadas pelo cérebro tem sido traduzir os sinais do cérebro que indicam movimento de membros para sinais computorizados que possam controlar uma prótese robótica de forma eficiente”.
 

“No entanto, adotámos uma abordagem completamente diferente neste caso, utilizando um algoritmo de computador baseado num modelo que imita a forma como um cérebro sem problemas controla o movimento dos membros. O resultado é uma mão que pode movimentar-se de forma muito mais precisa e natural”, explica o investigador.

 

Relativamente a ter saboreado o chocolate que conseguiu trazer autonomamente à boca, Jan comentou que a proeza constituiu “um pequeno mordisco para uma mulher, uma dentada gigante para a interface cérebro-computador”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.