Manter um ADN saudável atrasa a menopausa

Estudo publicado na revista “Nature Genetics”

01 outubro 2015
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Uma equipa internacional de investigadores identificou mais de 40 regiões do genoma humano que estão envolvidas na definição da idade em que tem início a menopausa. O estudo publicado na revista “Nature Genetics” descobriu que dois terços destas regiões têm genes que mantêm o ADN saudável ao reparar pequenos danos que se acumulam ao longo da idade.
 
O estudo liderado pelas Universidades de Cambridge e Exeter, no Reino Unido, sugere que as células reprodutoras, presentes nos ovários das mulheres, que reparam o ADN mais eficazmente sobrevivem mais tempo. Isto traduz-se num início mais tardio da menopausa, o qual marca o fim da vida reprodutiva da mulher.
 
Estudos anteriores já tinham demonstrado que o ADN é regularmente danificado pela idade e por substâncias tóxicas, como o fumo do tabaco – razão pela qual as mulheres fumadoras iniciam a menopausa entre um a dois anos em média mais cedo do que as não-fumadoras. As células estão equipadas com vários mecanismos para detetar e reparar os danos, mas acabam por morrer quando há a acumulação de vários danos. 
 
Nesta investigação, que envolveu cientistas de 177 instituições de todo o mundo, os autores realizaram um estudo de associação do genoma de quase 70 mil mulheres com ascendência europeia.
 
Uma das autoras do estudo, Anna Murray, explica que atualmente muitas mulheres decidem adiar a gravidez, mas podem ter algumas dificuldades em engravidar naturalmente uma vez que a fertilidade começa a diminuir dez anos antes do início da menopausa.
 
“O nosso estudo aumentou substancialmente o conhecimento de como o envelhecimento reprodutivo ocorre nas mulheres e esperamos que conduza ao desenvolvimento de novos tratamentos para evitar a menopausa precoce”, referiu a investigadora.
 
Os investigadores disseram que esta é a primeira vez que se demonstrou que a idade do início da menopausa é em parte determinada pelos genes. O estudo apurou que há centenas de genes envolvidos e cada um pode alterar a idade da menopausa de semanas até anos. “É surpreendente que os genes envolvidos na reparação do ADN tenham uma influência tão grande na idade da menopausa, que pensamos ser devido ao seu efeito sobre a rapidez com que ovócitos da mulher são perdidos ao longo de sua vida”, refe um outro autor do estudo, John Perry.
 
Apesar de investigações anteriores terem observado que a menopausa precoce reduz o risco de as mulheres desenvolverem cancro da mama, este é o primeiro estudo a confirmar esta associação através da informação genética. Por cada ano de atraso do início da menopausa, aumento ao risco de desenvolver cancro da mama em 6%. Um dado que, na opinião dos investigadores, pode ser explicado pelo facto de a menopausa precoce reduzir o tempo de exposição ao estrogénio ao longo da vida.
 
Em estudos futuros os investigadores vão tentar detalhar como as variações genéticas encontradas estão a causar alterações no início da menopausa. A descoberta destes mecanismos pode conduzir a melhores tratamentos para condições associadas à menopausa, como a infertilidade, e também melhorar o conhecimento do impacto da menopausa na saúde, como o risco de osteoporose ou de doença cardíaca.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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