Manipulação de comunicação entre bactérias pode ajudar na recuperação da flora intestinal

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

23 março 2015
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Uma equipa de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência, Portugal, descobriu que a alteração da "comunicação" entre bactérias pode beneficiar a recuperação da flora intestinal fragilizada após a toma de antibióticos, noticia a agência Lusa.
 
Justificando a pertinência do estudo, Karina Xavier, líder do estudo, explicou à Lusa que os tratamentos com antibióticos "matam" a flora intestinal, deixando-a mais suscetível a outras infeções, uma vez que os antibióticos destroem um determinado número de bactérias "boas", as que protegem naturalmente o organismo contra agentes nocivos.
 
"Temos uma comunidade de bactérias saudáveis que, à partida, vai ser capaz de se defender contra a invasão de organismos patogénicos. Quando tomamos um antibiótico, porque, por alguma razão, estivemos expostos a um organismo violento e temos que o destruir, vamos ter o efeito secundário de estar a romper a comunidade bacteriana, que vai ficar mais suscetível a outros invasores", assinalou.
 
No intestino há uma grande quantidade de bactérias "boas", as que não são invasoras e nocivas.
 
As bactérias, esclareceu a investigadora, "comunicam entre si, usando sinais químicos que regulam muitas funções".
 
A sua equipa concluiu que, manipulando a comunicação entre bactérias no intestino, é possível aumentar a quantidade dessas bactérias e, com isso, "ajudar o processo de recuperação natural da microbiota" (conjunto de microrganismos, como as bactérias, que habitam naturalmente órgãos, como o intestino) após a toma de antibióticos.
 
Para chegarem a esta conclusão, Karina Xavier e outros cientistas deram a ratinhos três espécies de bactéria E.coli, com "dosagens" diferentes, obtidas por técnicas de biologia molecular, do sinal químico autoindutor-2 (AI-2), que promove a comunicação bacteriana no intestino.
 
Para o estudo foram utilizados roedores sem qualquer alteração no AI-2 e outros que, depois de suprimidas proteínas, tinham mais este sinal ou tinham a molécula auto-indutora destruída.
 
Aos ratinhos, foi-lhes ainda administrado estreptomicina, "um antibiótico potente conhecido por causar desequilíbrios na comunidade de bactérias do intestino".
 
No final, os investigadores analisaram as fezes dos roedores.
 
Segundo Karina Xavier, os ratinhos "colonizados" com a bactéria E.coli que estava a produzir muito AI-2 "tinham sido menos prejudicados pelo tratamento antibiótico", porque foram destruídas menos bactérias "boas".
 
A cientista crê que os resultados obtidos serão semelhantes nos humanos, pois as bactérias naturais no intestino humano e no dos ratinhos "são muito parecidas".
 
A equipa pretende, num próximo passo, dar aos roedores uma droga, com as alterações químicas induzidas na E.coli, para "potenciar o efeito" conseguido, ou seja, o de acelerar a recuperação da microbiota após a toma de antibióticos.
 
Além disso, o grupo de Karina Xavier propõe-se também estudar as funções que estão a ser, efetivamente, afetadas com a alteração da comunicação entre bactérias no intestino.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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