Manganésio na água potável afecta QI das crianças

Estudo publicado no “Environmental Health Perspectives”

22 setembro 2010
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As crianças expostas a altas concentrações de manganésio na água potável têm piores resultados nos testes que avaliam as capacidades intelectuais, alerta um estudo conduzido por investigadores da Universidade de Montreal, no Canadá, e publicado no “Environmental Health Perspectives”.

 

Este metal está presente, naturalmente, nas águas subterrâneas de várias regiões do mundo. Embora os efeitos neurotóxicos sejam bem conhecidos, até hoje nenhum estudo se tinha focado nos potenciais riscos da exposição ao manganésio na América do Norte.

 

Nesta investigação, foram avaliadas 362 crianças em idade escolar (entre os 6 e os 13 anos) do Quebeque que viviam em habitações onde a água utilizada para consumo e uso doméstico provinha de poços. Para cada criança que participou no estudo, a equipa mediu a concentração de manganésio na água da torneira das suas casas, bem como a de ferro, cobre, chumbo, zinco, arsénico, magnésio e cálcio. A quantidade de manganésio proveniente da água e dos alimentos consumidos foi estimada através de um questionário. De igual modo, cada criança foi avaliada através de uma bateria de testes cognitivos, de capacidade motora e comportamento.

 

De acordo com a líder da investigação, Maryse Bouchard, em comunicado enviado à imprensa, houve uma redução muito significativa do quociente de inteligência (QI) das crianças que consumiam água com maiores concentrações de manganésio, apesar de estes níveis serem actualmente considerados baixos e não apresentarem risco para a saúde. As crianças que ingeriram uma concentração de manganésio na água superior em 20% tinham, em média, um QI seis pontos abaixo do das crianças que beberam água sem manganésio. Os resultados mostram, contudo, que a quantidade de manganésio estimada nos alimentos não foi associada ao baixo rendimento intelectual das crianças.

 

No estudo, os investigadores propõem que sejam revistas as normas nacionais e internacionais sobre os limites das concentrações de manganésio na água potável, uma vez que foi provada a sua implicação para a saúde, mesmo em níveis actualmente aceites como não sendo prejudiciais. Os cientistas também aconselham o uso de filtros que contenham uma mistura de resina e carbono activo, dado que, segundo referem, estes reduzem a concentração de manganésio entre 60 e 100%, dependendo das características da água.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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