Mamografia não evita a morte

Médicos alertam para outros sintomas

01 outubro 2002
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A recomendação médica para que as mulheres façam exames regulares aos seios não reduz o número de mortes provocadas pelo cancro da mama, aponta um estudo do Centro Fred Hutchinson de Pesquisa sobre o Cancro, em Seattle, Estados Unidos.
 

 

Com base na avaliação de mulheres chinesas, ao longo de 11 anos, os investigadores afirmam que as mulheres que fazem o auto-exame com frequência têm pouca probabilidade de descobrir tumores mais cedo do que aquelas que não realizam o exame.
 

 

Especialistas mundiais dizem que o resultado do estudo confirma o que outras estudos já tinham revelado, ou seja, que o exame de despistagem do cancro da mama não é feito do modo adequado. O estudo também questiona se as mulheres deveriam mesmo ser orientadas nesse sentido.
 

 

Alertar para outros sintomas
 

 

Para os especialistas, as mulheres deveriam, ao contrário, ser alertadas para outros sintomas de cancro da mama, como alterações no tamanho e na forma dos seios ou do bico do seio e outros tipos de dores ou desconfortos.
 

 

A equipa americana, liderada pelo investigador David Thomas, examinou mais de 266 mil mulheres em Xangai, na China.
 

 

As mulheres foram divididas em dois grupos. As do primeiro grupo foram ensinadas sobre como fazer o auto-exame (o acto de apalpar os seios) e foram lembradas a realizar a exames médicos regulares.
 

As mulheres do segundo grupo não receberam nenhum tipo de informação.
 

 

Os investigadores descobriram que, passados dez anos, o número de mortes provocadas por cancro da mama era praticamente o mesmo nos dois grupos.
 

 

Mais. Segundo os especialistas, as mulheres do primeiro grupo não conseguiram identificar o tumor canceroso mais cedo do que as do segundo grupo. Conseguiram, no entanto, descobrir tumores não cancerosos.
 

 

Thomas acredita que os resultados mostram que as mulheres deveriam ir ao médico regularmente, em vez de confiar no auto-exame.
 

 

«Acreditamos que, para as mulheres acima dos 50 anos, a mamografia é um exame muito útil para se detectar o cancro da mama rapidamente e, deste modo, reduzir-se as probabilidades de morte por esse tipo de doença», afirmou o investigador.
 

 

«Devemos também ressaltar que, em termos de política de saúde, não há provas de que o auto-exame seja muito útil e, definitivamente, não é um substituto para a mamografia», concluiu Thomas.
 

 

O estudo, publicado no Journal of the National Cancer Institute, também ressalta que países pobres, com recursos limitados, deveriam reconsiderar o uso de fundos no incentivo ao auto-exame.
 

 

Apoios unânimes
 

 

Num texto publicado juntamente com o estudo, investigadores da Universidade da Carolina do Norte apoiam a investigação, dizendo que a campanha para incentivar o auto-exame é cara. Além do mais, afirmam os especialistas, é extremamente difícil aprender a fazer bem o exame.
 

 

A instituição de caridade britânica Cancer Research UK, disse que os resultados não surpreendem. «A maior parte das organizações já saíram dessa linha de incentivar as mulheres a realizar o auto-exame regularmente. O que aconselhamos é que as mulheres tenham um conhecimento dos próprios seios, prestando atenção a qualquer mudança na forma e no tamanho», afirmou Sarah Turner, enfermeira da caridade.
 

 

Para Passos Coelho, do Instituto Português de Oncologia (IPO), o estudo do Centro Fred Huchinson não é novidade. Em declarações à TSF, o especialista aponta que este trabalho vem a confirmar o que já se suspeitava: «Que o papel do auto-exame como forma de diagnóstico precoce associado ao rastreio mamográfico tinha um papel menor comparado com o rastreio por mamografias regulares».
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

Ver: BBConline
 

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