Malária: vacina mais segura e eficaz

Estudo publicado na revista “Science”

13 agosto 2013
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Investigadores americanos desenvolveram uma vacina segura contra a malária capaz de gerar uma resposta do sistema imunitário e proteger organismos adultos contra a infeção, dá conta um estudo publicado na revista “Science”.
 

A malária é transmitida aos humanos através da picada do mosquito Anopheles infetado. Após a picada os esporozoítos, fase imatura do ciclo de vida do parasita, migram para o fígado, onde se multiplicam e se disseminam através da corrente sanguínea, altura esta em que os sintomas se desenvolvem.
 

Neste estudo, os investigadores da empresa Sanaria, em Rockville, EUA, desenvolveram uma vacina, denominada PfSPZ, composta por esporozoítos vivos mas enfraquecidos de Plasmodium falciparum, o mais mortal dos parasitas causadores da malária.
 

“O peso global da malária é extraordinário e inaceitável. Os investidores e os profissionais de saúde têm feito grandes esforços na caracterização, tratamento e prevenção da doença. Contudo, a obtenção de uma vacina continua a permanecer um objetivo difícil de atingir. Estamos contentes por termos dado este passo tão importante”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos investigadores, Anthony S. Fauci.
 

O estudo em fase I contou com a participação de 57 indivíduos saudáveis, que tinham entre 18 e 45 anos e que nunca tinham tido malária. Destes, 40 participantes receberam a vacina. De forma a avaliar a segurança da vacina, os participantes foram divididos em grupos aos quais foram administradas doses crescentes da PfSPZ por via intravenosa. Não foram verificados efeitos adversos à toma da vacina.
 

Com base nas análises sanguíneas, os investigadores constataram que os participantes que receberam a dose mais elevada da PfSPZ produziram mais anticorpos contra a malária e mais linfócitos T, um tipo de células imunológicas.
 

De forma a avaliar a eficácia da vacina, os participantes foram expostos a picadas de mosquitos que tinham sido infetados com a estirpe Plasmodium falciparum, a partir da qual a vacina tinha sido criada. Também desta vez se verificou que a administração da dose mais elevada da vacina conferiu proteção contra a infeção. Apenas três dos 15 participantes que receberam esta dose ficaram infetados, comparativamente com os 16 dos 17 participantes que receberam a dose mais baixa. Dos 12 participantes que não receberam a vacina, 11 ficaram infetados após a picada do mosquito.

O único desafio que ainda permanece por ultrapassar é o facto de a vacina ter de ser administrada intravenosamente, uma via rara de administração das vacinas. Estudos prévios demonstraram que a administração de doses baixas de vacinas através da via intradérmica ou subcutânea não provocava uma resposta tão forte por parte do sistema imunológico.
 

“Apesar deste desafio, estes ensaios são um primeiro passo prometedor na produção de elevado nível de proteção contra a malária, e permite que futuros estudos otimizem a dose, horário e vida de administração”, concluíram os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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