Malária mata mais do que o previsto

Estudo publicado na revista “The Lancet”

07 fevereiro 2012
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A malária matou mais de 1,2 milhões de pessoas em 2010, um número muito superior ao estimado pelas organizações internacionais, dá conta cum estudo publicado na revista “The Lancet”. As estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) para esse ano apontavam para 655 mil mortes associadas à doença.

 

"A comunidade que estava a trabalhar com malária (…), por um certo otimismo, começou a falar de erradicação da malária de uma forma demasiado leve. Acho que este artigo serve para nos trazer um bocadinho à terra e nos mostrar que não vai ser assim tão simples", revelou à agência Lusa, Maria Mota.

 

Para a investigadora, especialista em malária do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa (IMML), o facto de os números avançados por entidades como a OMS mostrarem ligeiras descidas no número de mortes gerou "uma certa ideia" de que o controlo e a erradicação da doença era apenas uma questão de tempo.

 

Por outro lado, Maria Mota lembrou que alguns dos considerados clássicos investigadores da malária publicaram, em 2011, vários artigos em que afirmavam "claramente" não existirem as ferramentas necessárias, nomeadamente uma vacina, para a erradicação da doença.

 

Apesar de não ter analisado com profundidade o estudo realizado pelos investigadores do Institute of Health Metrics and Evaluation (IHME), da University of Washington, nos EUA, Maria Mota considerou que este parece tratar-se de "um estudo bastante aprofundado" que analisa "muitas regiões dentro e fora do continente africano e que contraria os dados avançados pela OMS sobre a evolução da doença.

 

"Os dados que a OMS nos tem vindo a transmitir é que em algumas regiões a malária tem vindo a diminuir e este estudo mostra que não é o caso. (…) parece haver uma tendência da manutenção e até de um certo aumento dos casos de malária", revelou.

 

Para Maria Mota, "os números que estão agora a ser publicados têm que ser vistos com atenção e comparados para perceber o que se está a passar".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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