Malária: influência do fluxo sanguíneo na gravidez

Estudo publicado na “PLOS Pathogen”

04 fevereiro 2013
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Investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência verificaram, pela primeira vez, que há zonas da placenta onde o fluxo sanguíneo é mais reduzido e que proporcionam a acumulação de parasitas da malária, o que poderá influenciar a infeção durante a gravidez.
 

O estudo publicado na revista “PLOS Pathogen” revela que há uma maior acumulação de parasitas, que infetam os glóbulos vermelhos, nas regiões da placenta que apresentam baixo fluxo sanguíneo, sendo estas áreas mais propensas a uma resposta inflamatória. Esta acumulação local de glóbulos vermelhos infetados com o parasita deve-se à interação com uma molécula existente no tecido placentário.
 

O estudo, ao qual a agência Lusa teve acesso, refere que, como em resposta à presença do parasita, as células da placenta produzem substâncias que recrutam células inflamatórias que, por sua vez, contribuem para lesões na placenta que podem afetar o desenvolvimento do feto.
 

A malária durante a gravidez pode provocar abortos, nados-mortos, prematuridade, atraso no crescimento uterino e baixo peso ao nascer.
 

Através de experiências realizadas em ratinhos os investigadores, liderados por Carlos Penha-‐Gonçalves, concluíram que em áreas com maior fluxo sanguíneo o parasita nunca para de se deslocar, o que não lhe permite interagir com o tecido da placenta.
No entanto, nas regiões de menor fluxo os parasitas acumulavam-se, fruto da interação com a molécula do tecido placentário. Perante esta acumulação, as células da placenta e do sistema imune digerem os glóbulos vermelhos infetados, numa tentativa de eliminar o parasita.
 

O estudo também sugere que os próprios movimentos do tecido da placenta podem controlar o fluxo sanguíneo. Falta ainda “explorar se um processo semelhante acontece na placenta de humanos, tendo em consideração que a microcirculação na placenta humana é bastante diferente”, explicou Carlos Penha-Gonçalves. Só a partir daí se poderão começar a planear terapêuticas.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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