Malária: desenvolvidos mosquitos que não transmitem a doença

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

26 novembro 2015
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Investigadores americanos desenvolveram uma estirpe de mosquitos capazes de introduzir rapidamente genes que bloqueiam a malária numa população de mosquitos através da sua descendência, em última análise, eliminando a capacidade dos insetos transmitirem a doença aos seres humanos, atesta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
Este novo modelo desenvolvido pelos investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, representa um notável avanço no esforço de estabelecer uma população de mosquitos antimaláricos, que com um desenvolvimento futuro poderá ajudar a erradicar uma doença que anualmente afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
 
De forma a criarem esta estirpe de insetos, os investigadores inseriram um elemento de ADN na linha germinativa dos mosquitos Anopheles stephensi (A. stephensi) que resultou no gene que impede a transmissão da malária, surpreendentemente transmitido a cerca de 99,5% da descendência.
 
Este estudo reforça a crescente utilidade do método Crisp, uma ferramenta poderosa de edição genética que permite acesso ao núcleo da célula para cortar o ADN de forma a substituí-lo por genes mutados ou inserir novos genes.
 
“Isto abre a possibilidade real da técnica poder ser adaptada para eliminar a malária”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Anthony James.
 
Estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigadores demonstraram que a introdução de anticorpos do sistema imunológico de ratinhos em mosquitos poderia afetar a biologia do parasita da malária. Contudo, esta característica era apenas transmitida a metade da descendência, pois só afetava uma das cópias do gene.
 
Entretanto, no início deste ano um grupo de investigadores conseguiu desenvolver um novo método, que envolveu a utilização de CRISPR/Cas9 e permitiu a transmissão de mutações através da linha germinativa.
 
Assim, neste estudo foi desenvolvida uma “cassete” genética que continha os genes antimaláricos e a enzima Cas9 (que corta o ADN) que, quando injetada num embrião de mosquito, tinha por alvo uma localização específica na linha germinativa do ADN.
 
“Este é o primeiro passo. Sabemos que o gene funciona. Os mosquitos que desenvolvemos não são o produto final, mas sabemos que esta tecnologia permite criar eficazmente grandes populações”, conclui o investigador.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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