Malária: descoberta forma de impedir o parasita de se desenvolver

Estudo do Instituto de Medicina Molecular

25 janeiro 2016
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Investigadores do Instituto de Medicina Molecular (iMM) descobriram o mecanismo através do qual o parasita da malária fica vulnerável à toxicidade do ferro presente no corpo humano, impedindo-o de se multiplicar.
 

O estudo publicado na revista “Nature Communications” descobriu um novo transportador de ferro que o parasita da malária tem, que se for bloqueado faz com que esse nutriente se torne letal, abrindo portas para o desenvolvimento de novos fármacos.
 

“O ferro é essencial à vida, mas também é extremamente tóxico. É o que acontece no nosso corpo, as células precisam de ferro e todos os organismos precisam de ferro, mas quando ele está em excesso causa danos muito muito graves, e o parasita da malária não é diferente disso: precisa de ferro mas se tiver em excesso morre”, explicou à agência Lusa a líder do estudo, Maria Manuel Mota.
 

O demonstro que este novo transportador é essencial ao parasita para que este consiga armazenar o ferro que está em excesso e guardá-lo num sítio que não permite que se torne tóxico.
 

Esta descoberta é “muito importante”, porque em determinadas circunstâncias o parasita da malária pode estar em locais que tenham ferro em excesso, o que pode fazer com que seja letal ou muito grave para o parasita.
 

“O que nós mostramos é que se tivermos um parasita da malária que não tem este transportador, o que acontece é que este parasita não se consegue desenvolver bem”, disse Maria Mota.
 

Os investigadores utilizaram uma estirpe mutante de levedura, na qual a sequência para uma determinada proteína transportadora de ferro foi removida do ADN. Devido à incapacidade de produzir esta proteína transportadora de ferro, a estirpe de levedura mutante não conseguiu crescer na presença deste micronutriente.
 

Com base nesta experiência, os investigadores criaram parasitas de malária mutantes a que retiraram o gene da proteína em questão. Consequentemente, estes parasitas continham um teor de ferro elevado dentro dos glóbulos vermelhos, o que, devido à sua toxicidade, resultou num número reduzido de parasitas.
 

O impacto desta descoberta para o futuro é conseguir desenvolver fármacos que consigam inibir este transportador.
 

“Se bloquearmos este transportador, o parasita vai começar a acumular ferro, o que o torna tóxico, e não se vai conseguir desenvolver bem”, acrescentou a investigadora. Por outro lado há já fármacos que estão dependentes dos níveis de ferro.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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