Estudo publicado na “Nature”
Investigadores do Reino Unido descobriram como a espécie mais mortal do parasita que causa a malária, Plasmodium falciparum, invade os glóbulos vermelhos, oferecendo assim um novo foco para o desenvolvimento de uma vacina, dá conta um estudo publicado na “Nature”.
A malária, doença para a qual ainda não existe nenhuma vacina licenciada disponível, mata aproximadamente um milhão de pessoas a cada ano, principalmente crianças menores de cinco anos oriundas da África subsaariana.
O ciclo de vida do Plasmodium é iniciado quando o parasita invade os glóbulos vermelhos, e é esta fase que é responsável pelo aparecimento dos sintomas e da mortalidade associada a esta doença. Os investigadores já haviam tentado, durante muitos anos, desenvolver uma vacina que impedisse a entrada do vírus nestas células, mas sem sucesso até ao momento. Um dos grandes desafios é que o parasita é adaptável – apesar de vários receptores dos glóbulos vermelhos já terem sido identificados, nenhum se mostrou ser essencial. Quando a entrada através de um determinado receptor era bloqueada, o parasita era capaz de entrar através de outro.
Mas os investigadores do Wellcome Trust Sanger Institute descobriram agora um único receptor que é absolutamente necessário para que o parasita invada as células do hospedeiro.
A interacção entre o parasita e o receptor do hospedeiro foi descoberta através da utilização de uma técnica denominada AVEXIS (Avidity-based Extracellular Interaction Screen). Esta tecnologia, foi especificamente desenhada para detectar interacções extracelulares entre o ligando e o receptor.
Para além de terem identificado a interacção, os investigadores demonstraram que a interrupção desta interacção bloqueava completamente a entrada do parasita dentro dos glóbulos vermelhos. Foi também verificado que isto acontecia para todas as estirpes de parasita testados, o que indica que este receptor é uma via de entrada universal.
"Ao identificar um único receptor que parece ser essencial para o parasita invadir os glóbulos, também identificámos um foco óbvio e muito interessante para o desenvolvimento de uma vacina", disse Julian Rayner, co-autor da investigação. "A esperança é que este trabalho leve a uma vacina eficaz".
A vacinação contra a malária será a forma mais simples e com melhor relação custo-benefício para proteger as populações contra a doença. No entanto, para que esta abordagem funcione a nível da população, a vacina tem de ser altamente eficaz para que a vasta maioria das pessoas vacinadas fique imune à doença.
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Comentar 


