Malária: de que forma a resposta imunológica é impedida?

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

30 dezembro 2015
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Investigadores australianos descrevem pela primeira vez como o parasita da malária causa uma reação inflamatória que danifica a capacidade do organismo se proteger a ele próprio contra a doença, refere um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 
Neste estudo os investigadores do Instituto Walter e Eliza Hall, na Austrália, descobriram que as mesmas moléculas que impulsionam a resposta imunológica contra a malária severa também impedem o organismo de desenvolver anticorpos protetores contra a doença.
 
De acordo com uma das investigadoras, Diana Hansen, este estudo demonstrou pela primeira vez por que motivo o sistema imunológico não desenvolve imunidade durante a infeção da malária. “Com muitas infeções, apenas uma exposição ao agente patogénico é suficiente pata induzir a produção de anticorpos que protegem um indivíduo para o resto da vida. Contudo, com a malária pode demorar cerca de 20 anos até ser construída uma imunidade protetora. Durante este período os indivíduos expostos à malária são suscetíveis à reinfeção e ficam doentes muitas vezes, assim como disseminam a doença”, referiu, em comunicado de imprensa, a investigadora.
 
A malária tem sido difícil de controlar porque o organismo não é capaz de desenvolver uma imunidade de longa duração contra o parasita, o que tem consequentemente dificultado o desenvolvimento de uma vacina.
 
A investigadora refere que este processo fica ainda mais complicado pois, ainda não se sabe se é o parasita da malária ou a reação inflamatória à doença que de facto inibe a capacidade de desenvolver uma imunidade protetora.
 
Agora neste estudo, os investigadores demonstraram que a forte reação inflamatória que acompanha a infeção e que de facto conduz à malária clínica é também responsável pelo silenciamento das células imunitárias chave necessárias para a proteção de longa duração contra o parasita.
 
As moléculas inflamatórias libertadas pelo organismo para combater a infeção impedem que os anticorpos protetores sejam produzidos. “A imunidade de longa duração contra a malária e outros agentes patogénicos necessita de uma resposta dos anticorpos”, referiu um outro autor do estudo, Axel Kallies.
 
As células imunes especializadas denominadas por linfócitos T auxiliares combinam esforços com os linfócitos B para produzir estes anticorpos protetores. No entanto, os investigadores demonstraram que ao longo da infeção da malária existem moléculas inflamatórias que de facto atrasam o desenvolvimento dos linfócitos T auxiliares. Assim os linfócitos B não recebem as instruções necessárias para produzir anticorpos.
 
Na opinião dos investigadores estes resultados podem conduzir ao desenvolvimento de vacinas eficazes contra a malária. “Esta investigação abre portas para abordagens terapêuticas que acelerem o desenvolvimento da imunidade protetora contra a malária e que melhorem a eficácia das vacinas da malária”, conclui Diana Hansen.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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