Malária: bactéria intestinal pode proteger contra infeção

Estudo realizado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência

09 dezembro 2014
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Investigadores portugueses descobriram que uma bactéria benéfica do intestino produz um açúcar que gera uma resposta de defesa natural do organismo contra a transmissão da malária.
 

Os investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) referem que o parasita da malária, o "Plasmodium", expressa uma molécula de açúcar, a "alfa-gal", que também se encontra expressa na superfície de uma estirpe da bactéria Escherichia coli (E.coli), que existe no intestino humano saudável.
 

A molécula induz uma "resposta imune muito forte que protege contra a malária", afirmou à agência Lusa o líder do estudo, Miguel Soares.
 

O estudo publicado na revista “Cell” apurou que a expressão da "alfa-gal" pelas estirpes benéficas de E. coli, quando existentes no intestino, "é suficiente para induzir a produção de anticorpos naturais anti-alfa-gal, que reconhecem a mesma molécula de açúcar na superfície do Plasmodium”.
 

Os anticorpos ligam-se à molécula de açúcar na superfície do parasita imediatamente após a sua propagação à pele através do mosquito que transmite a malária, explica o IGC, acrescentando que o  parasita morre antes de conseguir sair da pele.
 

"O efeito protetor é tal que, quando presentes em altos níveis no momento da picada do mosquito, os anticorpos anti-alfa-gal conseguem impedir que o parasita transite da pele para a corrente sanguínea, e, ao fazê-lo, bloqueiam a transmissão da malária", refere o estudo.
 

Os investigadores constataram que quando os ratinhos eram vacinados contra uma molécula sintética de açúcar "alfa-gal", eram produzidos "elevados níveis" de anticorpos anti-alfa-gal "altamente protetores contra a transmissão de malária por mosquitos".
 

De acordo com Miguel Soares, a produção de uma vacina deste tipo seria promissora sobretudo para crianças das regiões endémicas da malária, com menos de 3 anos, que "são muito suscetíveis à doença", porque, a seu ver, provavelmente "não têm uma resposta imunitária" tão vincada como a dos adultos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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