Malária ainda é preocupante

Declarações de Maria Manuel Mota

26 junho 2014
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O panorama mundial da malária é "ainda muito preocupante", uma vez que morrem anualmente 600 mil pessoas. Contudo, segundo a investigadora portuguesa Maria Manuel Mota a situação está "melhor do que alguma vez foi”.
 

De acordo com a investigadora, os avanços registados nos últimos anos têm permitido diminuir para cerca de 500 milhões os novos casos de infeção. "É um panorama muito preocupante ainda, porque temos 600 mil crianças que morrem todos os anos devido à malária, mas também posso dizer que o panorama é melhor do que alguma vez foi, porque nos últimos 10 anos, os fundos que foram proporcionados para estudar e investigar foram bastante aumentados", referiu Maria Manuel Mota à agência Lusa.
 

"Há cada vez mais cabeças pensantes e, como consequência, a probabilidade de alcançarmos uma estratégia que seja racional para o combate à doença é maior. Estou otimista, mas também sei que não haverá uma solução para já, que não é um problema que se consiga resolver nos próximos cinco anos", acrescentou Maria Mota.
 

Para a investigadora, o caminho a seguir para debelar a doença passa pela criação de uma estratégia comum internacional. "Já houve muitos inseticidas usados e muito está a ser feito. O problema é que sabemos que, depois, isso não é sustentável porque, ecologicamente, não são bons, ou, quando são usados, não têm eficácia a longo prazo, pois os mosquitos portadores do parasita acabam sempre por arranjar resistências, o que é preocupante", explicou.
 

"Em termos de uma vacina, há uma prestes a sair, mas que é muito pouco eficaz, tem apenas 30% de eficácia, pelo que ninguém está convencido de que vai resolver o problema. O caminho a seguir é desenvolver novas estratégias, é tentar encontrar novas vacinas e fármacos, tentar várias vias até que algum funcione", sublinhou.
 

A cientista portuguesa distinguida já com vários prémios internacionais, alertou para o facto de, em países em que a prevalência do parasita é residual, como o caso de Cabo Verde, há uma certa tendência para que as autoridades de "sentem à sombra da bananeira", permitindo que a situação retroceda.
 

"O maior problema é que não há uma estratégia comum internacional para aplicar a todos estes casos, em que se defende que cada caso é um caso, que tem de ser pensado e que tem de ter uma estratégia. A mensagem principal para os países endémicos passa por apostar nas gerações futuras, dar-lhes uma educação científica que lhes vai permitir maior preparação para enfrentar os problemas de uma forma racional. É isso que vai ser a solução", defendeu.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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