Malaguetas podem reduzir risco de cancro do cólon

Estudo publicado no “The Journal of Clinical Investigation”

27 agosto 2014
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O consumo de malagueta pode contribuir para a redução do risco de cancro do cólon, são as conclusões de um estudo norte-americano publicado no “The Journal of Clinical Investigation”.

 

O ingrediente ativo das malaguetas, a capsaicina, ativa um recetor da dor denominado TRPV1 em ratinhos que reduz o desenvolvimento de tumores nos intestinos, descobriu uma equipa liderada por Eyal Raz, professor de medicina da University of California-San Diego School of Medicine.


A capsaicina é o ingrediente das malaguetas que lhes confere a sensação picante, causando irritação nos mamíferos, incluindo os seres humanos, e uma sensação de ardor quando entra em contacto com o corpo. Além da sua utilização na culinária, esta substância é também utilizada em medicamentos de uso tópico para tratamento da dor e constitui o ingrediente ativo do gás pimenta.


A proteína TRPV1 foi descoberta inicialmente em neurónios sensoriais, onde protege as células contra potenciais danos causados pelo calor, acidez e alguns químicos do meio-ambiente. Segundo o autor principal do estudo, esta proteína foi descrita como sendo um recetor da dor molecular. Esta pode ser considerada a sua função convencional, que está ao nível do sistema nervoso.


A equipa que conduziu este estudo descobriu que as células epiteliais dos intestinos também expressam a TRPV1 quando são estimuladas pelo recetor de fator de crescimento epidérmico (EGFR), que é um recetor crucial para o crescimento das células nos intestinos.


Se a sinalização do EGFR for danificada, o crescimento celular processa-se de forma descontrolada o que leva ao aumento do risco de desenvolvimento de tumores. Quando a TRPV1 é ativada pelo recetor EGFR, a TRPV1 ativa um feedback negativo direto no EGFR, reduzindo assim o crescimento de células indesejadas nos intestinos e, por sua vez, diminui a possibilidade de desenvolvimento tumoral.


Para o estudo, os investigadores modificaram geneticamente ratinhos de forma a não apresentarem a TRPV1. Estes animais revelaram um índice muito maior de crescimento tumoral nos intestinos, comparativamente com ratinhos que apresentavam uma forma ativa de TRPV1. Isto quer dizer que a TRPV1 suprime os tumores nos intestinos.


A equipa descobriu também que a capsaicina desempenha um papel na ativação da TRPV1. Ao alimentarem ratinhos suscetíveis a tumores com a substância, foi observado que a capsaicina reduziu o desenvolvimento de tumores através da ativação da TRPV1 e aumentou a esperança de vida dos roedores em 30%. Estes efeitos foram aumentados, quando combinados com o fármaco anti-inflamatório não-esteroide inibidor que tem por alvo a enzima COX-2.


Com base nestes resultados, os autores afirmam que “a administração de agonistas de TRPV1 em combinação com um inibidor da COX-2 poderá prevenir a sequência adenoma-carcinoma em humanos”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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