Mais rugas, menos cancro de pele

Será que pessoas com rugas são menos susceptíveis ao cancro?

12 julho 2001
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Um novo estudo britânico sugere que pessoas com muitas rugas na pele são menos susceptíveis ao aparecimento de carcinoma das células basais (CCB), a forma mais comum de cancro da pele, do que aquelas com pele "lisinha". Os investigadores advertem que isto são ainda conclusões preliminares e muitos estudos têm ainda que ser feitos para comprovar ou não este facto.
 

 

O dermatologista que conduziu a investigação já havia reparado que as pessoas que visitavam a clínica e às quais foi diagnosticado CCB tinham, no geral, muito poucas rugas.
 

 

A equipa atribuiu uma "classificação de rugas" de 1 (menor número de rugas) a 7 (maior número de rugas) a 239 pessoas caucasianas - o grupo étnico mais susceptível ao cancro de pele - com cerca de 70 anos de idade.
 

 

Os investigadores descobriram que as pessoas com uma classificação de 5 ou mais tinham 90% menos hipóteses de sofrerem de CCB do que aquelas com uma classificação "rugosa" de 2 ou menos. Estes resultados foram obtidos tendo em consideração outros factores que influenciam a ocorrência de rugas como sejam a idade, o sexo, tratamentos de pele prévios e o ser ou ter sido ou não fumador.
 

 

O que relaciona as rugas com o CCB não é ainda sabido, mas os investigadores têm, no entanto, algumas suspeitas. Sabem, por exemplo, que o sol contribui para o aparecimento de ambos.
 

 

Por análise da pele dos indivíduos com poucas rugas (pele lisa) os cientistas concluíram que estes haviam estado expostos a uma quantidade de sol semelhante à recebida pelas pessoas com muitas rugas, isto porque tinham uma grande quantidade de vasos sanguíneos da pele quebrados.
 

 

Especulando um pouco, o dermatologista que liderou a equipa sugere que estes vasos quebrados - telangiectasia - podem ser uma pista para a susceptibilidade destas pessoas com pele lisa para o CCB.
 

 

Os raios ultravioletas destroem as fibras elásticas de colagénio da pele e pensa-se que as rugas aparecem quando a pele é reparada sem substituição do colagénio. Por outro lado, as peles sem rugas parecem substituir o colagénio destruido, possivelmente pela produção de factor de crescimento transformante beta (TGF-b). Este composto estimula o crescimento de vasos sanguíneos e deprime o sistema imunitário, o que explicaria a telangiectasia e possivelmente também o CCB uma vez que um sistema imunitário debilitado e crescimento de vasos sanguíneos são também características do cancro.
 

 

Se estes factos se comprovarem, com muitos estudos que são ainda necessários fazer, este serão dados muito interessantes, uma vez que a ideia de que as rugas "protegem" contra o aparecimento de CCB contradiz a suposição aceite de que as rugas são um indicador de danos causados pelo sol e portanto de maior risco de aparecimento desta doença.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Nature

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