Mais erros genéticos encontrados em clones

Novos alarmes sobre os perigos da clonagem humana

06 julho 2001
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Cientistas norte-americanos descobriram imperfeições genéticas em células stem embrionárias que podem explicar porque é que os animais clonados a partir destas morrem prematuramente, ou então, são anormalmente grandes. Mesmo quando os animais clonados não aparentavam qualquer deficiência tinham, no entanto, erros genéticos que podiam resultar em fenómenos imprevisíveis.
 

 

"É talvez uma má ideia", diz um dos elementos da equipa referindo-se aos perigos da clonagem humana, baseando-se nestas e outras descobertas.
 

 

Os cientistas dizem que os erros genéticos encontrados nas células clonadas, se fossem humanas, poderiam causar, por exemplo, atraso mental.
 

 

A equipa de investigação estudou padrões genéticos em células stem embrionárias de rato, que podem ser usadas para criar ratos clonados, através da clonagem ou por fusão destas células com um óvulo.
 

 

As alterações genéticas estavam relacionadas com um fenómeno denominado "imprinting". Cada embrião tem duas cópias do mesmo gene, um de cada pai. O imprinting permite que um dos genes de um pai, e não o outro, se accione. Assim, este fenómeno é muito importante para o desenvolvimento embrionário.
 

 

Ao examinar seis genes relacionados com o desenvolvimento embrionário, os cientistas descobriram padrões de imprinting altamente variáveis em quatro dos seis genes, mesmo entre células filhas da mesma célula-mãe crescidas no mesmo meio.
 

 

A equipa pensa ainda não existir nenhuma maneira lógica de cultivar as células de forma a prevenir o problema. Descobriram porém que a maioria destes erros ocorria quando as células stem embrionárias estavam a ser cultivadas, e não durante os processos de clonagem ou fertilização in vitro.
 

 

No entanto, o perigo da clonagem a partir de células adultas (como no caso da ovelha Dolly) não está posto de parte, porque não foram feitas experiências para averiguar se o imprinting é afectado durante este processo. A própria ovelha Dolly estava a envelhecer prematuramente devido à degradação rápida do seu DNA.
 

 

O lado bom da notícia é que o impriting parece ser particularmente importante para o desenvolvimento embrionário mas não tão "vital" aquando do processo de especialização das células e da formação de tecidos e órgãos.
 

 

Assim, estes erros genéticos são mais irrelevantes quando se clona órgãos, o que permite o cultivo e clonagem de células stem para produzir tecidos e órgãos que possam ser transplantados com fins terapêuticos.
 

 

Quanto à clonagem, o próprio cientista que clonou a Dolly afirma que esta nova descoberta só apresenta mais provas de que a clonagem humana deve ser proibida em todo o mundo. "Como pode alguém tentar clonar um bebé quando o resultado é tão imprevisível?", questiona o cientista.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist

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