Mais de metade dos professores universitários sofre de “burnout”

Estudo da Universidade Portucalense

07 setembro 2016
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Mais de 60% dos professores universitários sofrem de burnout, um estado de exaustão decorrente do stress do trabalho, dá conta um estudo realizado pela Universidade Portucalense.
 

O estudo indica que 62% dos professores universitários sofre de burnout, associado a fadiga física, e demonstram que “as universidades devem dar mais importância aos relacionamentos dos professores universitários com a liderança direta e com a gestão de recursos humanos como fator promotor de saúde mental”.
 

A investigação, realizada no âmbito de uma tese de mestrado de Ana Rita Ferreira, inclui professores de quatro instituições de ensino superior do Porto e apurou que quando o ambiente de trabalho é positivo, o docente encontra mais recursos sociais e psicológicos para superar os desafios profissionais.
 

“Os resultados do estudo indicam que o stress inerente à função e cargos que cada docente ocupa está diretamente associado ao burnout. Por outro lado, a confiança nas chefias e o relacionamento com a gestão de recursos humanos constituem-se como fator amortecedor do burnout”, refere o comunicado da Universidade Portucalense ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

Os resultados contrariam as ideias preconcebidas em relação ao burnout: não é a fadiga cognitiva, mas sim a fadiga física e a exaustão que são apontadas “como os principais fatores de desencadeamento deste quadro”.
 

“Os dados apoiam a necessidade de rever as funções que o professor deve desempenhar dentro da instituição e a devida carga horário, favorecendo o desempenho do professor e o bem-estar, sendo especialmente relevante os relacionamentos dos professores universitários com a gestão”, indica o comunicado.
 

O estudo, que teve por base 131 inquéritos a professores universitários, entre os 23 e os 74 anos de idade, e que lecionam, cada um, apenas numa universidade, demonstrou que cada docente trabalha mais horas (16 horas) do que a carga horária recomendada, sendo obrigados a conciliar aulas com investigação, “podendo acumular funções burocráticas ou de maior responsabilidade como é o caso de 60% dos inquiridos, ou a coordenação de um determinado curso ou departamento da universidade, como são 42% dos docentes participantes no estudo”.
 

O estudo revela também que “o burnout é transversal a todas as áreas científicas”, e “apesar de nenhum dos inquiridos apresentar um quadro de burnout total, verifica-se que 62% dos professores têm sintomas de burnout associado a fadiga física, 27% apresentam sintomas de burnout associado a fadiga cognitiva e 5% sintomas de burnout associado a exaustão emocional”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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