Mais de metade dos cancros poderiam ser prevenidos

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

02 abril 2012
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Mais de metade dos cancros poderiam ser prevenidos, e hoje em dia a sociedade já tem conhecimento suficiente para atuar segundo esta informação, dá conta um estudo de revisão publicado na “Science Translational Medicine”.

 

“Na realidade, já temos uma enorme quantidade de dados sobre as causas e a prevenção do cancro. Está na altura de fazermos um investimento e de implementarmos o que sabemos”, revelou em comunicado de imprensa, o principal autor do estudo, Graham A. Colditz.

 

De acordo com os investigadores da Washington University, nos EUA, o que sabemos é que as opções do estilo de vida e da sociedade, nomeadamente o tabagismo, a prática de exercício físico e a dieta, podem influenciar de várias formas o desenvolvimento do cancro. Os cientistas citam dados que demostraram que o tabaco é responsável por um terço dos casos que ocorrem nos EUA enquanto que o excesso de peso e a obesidade são responsáveis por outros 20%.

 

Contudo, para além dos hábitos de cada indivíduo, os investigadores argumentam que a estrutura da sociedade, por si só, pode influenciar bastante o desenvolvimento do cancro.

 

De acordo com os autores do estudo, os obstáculos que impedem a implementação de estratégias para a prevenção de cancro incluem o ceticismo em torno da sua prevenção, o reduzido tempo despendido na investigação do cancro, a tardia intervenção na prevenção desta doença, o foco da investigação no tratamento em vez da prevenção, o debate entre a comunidade científica, fatores sociais que afetam a saúde e a falta de colaboração entre as várias áreas de conhecimento.

 

Segundo o estudo, os investigadores e os especialistas deveriam trabalhar em conjunto para compreender as causas do cancro, comunicar estes achados à população e trabalhar com os dirigentes de forma a implementar políticas que ajudem as pessoas a ter uma vida mais saudável.

 

Apesar de todos os obstáculos mencionados, os autores do estudo revelam alguns pontos positivos, nomeadamente a eliminação relativamente rápida das gorduras trans da dieta dos americanos e o facto do National Cancer Institute ter revelado que o cancro do pulmão tem diminuído graças aos benefícios da estreita política de controlo do tabaco.

 

“Após ter trabalhado durante 25 anos na saúde pública, aprendi que se queremos mudar a saúde, é necessário alterar a política. A estreita política de controlo do tabaco é um bom exemplo. Mas não conseguimos alterar a política sozinhos. Podemos informar as pessoas, mas depois é necessário ter uma massa crítica de pessoas para conseguir mudar”, revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Sarah J. Gehlert.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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