Mais de metade das crianças com menos de cinco anos tem excesso de peso

Estudo da Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação

20 dezembro 2012
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Mais de metade das crianças com menos de cinco anos tem excesso de peso, dá conta um estudo realizado pela Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação.
 

O estudo, ao qual a agência lusa teve acesso, revelou que que as crianças e adolescentes apresentam peso superior, altura inferior e índice de massa corporal superior aos valores de referência utilizados pela Direção Geral da Saúde, sendo esta prevalência mais elevada nos rapazes (32,5%) do que nas raparigas (24,6%).
 

Segundo o estudo, a prevalência de excesso de peso é superior nas crianças mais novas, sendo de 57,6% entre os zero e os 2 anos, 49,1% dos 3 aos 5 anos, de 31,9% dos 6 aos 9 anos e de 17,7% entre os 10 e os 13 anos.
 

Esta prevalência de excesso de peso nas crianças é mais preocupante, pelo risco de se “vir a tornar crónica e trazer com ela todo um cortejo de doenças e de má qualidade de vida”, revelou a nutricionista Maria Daniel Vaz de Almeida.
 

“Estes dados indicam que estamos a falhar na prevenção da obesidade. Será necessário haver uma política que identifique a obesidade como um problema de saúde pública e sobretudo prevenir e parar antes que comece”, afirmou uma das coordenadoras do estudo.
 

Para Maria Daniel Vaz de Almeida, não basta fazer campanhas de sensibilização, estes resultados demonstram que tem que se atuar ao nível da oferta alimentar nas escolas e de proporcionar mais espaço para uma vida mais ativa.
 

“Sabemos que a maior parte das pessoas até consegue identificar o problema, mas há aqui qualquer coisa que falha. É preciso ver como se traduz aconselhamento numa vida mais saudável e mais ativa”, acrescentou.
 

A responsável não esconde preocupação com as dificuldades económicas que o país atravessa, acreditando que a obesidade vai disparar nos próximos tempos.
 

“Iremos assistir provavelmente a um aumento de obesidade, por causa dos produtos mais ricos em açúcar que são mais baratos. É um paradoxo, mas vai haver mais obesidade com as pessoas a comer pior, a optar por uma oferta alimentar com densidade energética muito elevada, mas mais barata do que fruta e produtos hortícolas”, alerta.
 

Ao nível dos adultos, o mais surpreendente para a nutricionista foi constatar que se verificou um decréscimo de obesidade e excesso de peso nas mulheres, “o que é bom indicador”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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