Mais de 70 por cento da poluição dos oceanos é produzida em Terra

Debate sobre preservação e valorização do litoral português realiza-se amanhã

25 novembro 2002
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Mais de 70 por cento da poluição dos oceanos é produzida em Terra e encaminhada pelos rios, uma questão que vai ser abordada terça-feira num debate sobre preservação e valorização do litoral português.
 

 

O debate, promovido pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL), vai centrar-se na discussão das estratégias desejáveis e indispensáveis para uma gestão integrada da orla costeira. "Ao contrário do que acontecia no passado, hoje é claro que a preservação dos oceanos tem de ser, em primeiro lugar, feita em Terra, porque é esta a origem de mais de 70 por cento da sua poluição", explicou, em declarações à Agência Lusa, Mário Baptista Coelho, professor da FCUL e moderador do debate.
 

 

Nesta iniciativa, integrada no ciclo de debates da FCUL "Terra, Água e Ar", o tema Água será abordado por seis cientistas portugueses que, numa perspectiva preventiva, vão apresentar ideias de protecção da costa e estuários portugueses.
 

 

"Identificar problemas é uma tarefa extremamente importante sobretudo se se trata de situações que podem vir a ocorrer dentro de uma ou duas décadas, já que conferem tempo aos especialistas para tomarem medidas preventivas que possam minorar esses impactos", explicou.
 

 

Um dos problemas que importa abordar é o das alterações climáticas, que terá repercussões na orla costeira.
 

"No prazo de uma geração, é provável que se viva um contexto de subida do nível médio das águas do mar significativo", realçou Baptista Coelho.
 

 

Apesar de ser impossível quantificar a extensão dessa subida, um aumento do nível médio das águas de 50 centímetros poderá ter efeitos devastadores e fazer com que muitas das cidades ribeirinhas portuguesas fiquem recorrentemente inundadas, sublinhou o investigador.
 

"Estruturas como pontões, marginais ou linhas férreas ribeirinhas obviamente vão estar em risco face a esse aumento", assegurou o investigador.
 

 

Outro efeito das alterações climáticas é o aumento da temperatura média das águas, que já produziu consequências a nível dos ecossistemas marinhos portugueses. "Há um deslocar da fauna piscícola lentamente para Norte, um efeito que faz com que pescado tradicional do norte de África comece a ser detectado nos nossos estuários", explicou.
 

 

Além disso, o facto de existir cada vez mais água salgada a substituir a doce nos estuários pode vir a ter graves consequências no futuro. "Por exemplo, na península de Setúbal a totalidade da água consumida pela população é proveniente de aquíferos", realçou.
 

 

A necessidade absoluta de coordenar a gestão das zonas costeiras vai ser outra das questões em discussão no debate.
 

"É quase escandaloso que actualmente existam dezenas de entidades com competências sobre as zonas costeiras sem que haja um organismo com um claro ascendente sobre todos os outros", esclareceu o professor da FCUL.
 

 

Para Baptista Coelho, é fundamental que todos, especialistas, decisores, público em geral, encarem as águas territoriais portuguesas como uma continuação do território nacional, colocando a sua preservação em pé de igualdade com os ecossistemas terrestres.
 

 

O debate da FCUL antecede o anúncio governamental de um plano de requalificação da orla costeira que deverá ser aplicado ao longo de seis anos, do Minho ao Algarve, de acordo com recentes declarações do Ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, Isaltino de Morais.
 

 

Algumas das medidas previamente anunciadas são a demolição de construções clandestinas e renaturalização de zonas dunares, a par da deposição de areia nas praias.
 

 

Fonte: Lusa
 

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