Mais de 30% dos portugueses sofre de dor crónica

Estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

11 outubro 2011
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Mais de 30% dos portugueses sofre de dor crónica, que é já considerada uma “epidemia silenciosa”, dá conta um estudo realizado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

 

José Castro-Lopes, da Faculdade de Medicina do Porto, revelou à agência Lusa que a análise dos cuidados de saúde utilizados pelos doentes com dor crónica permitiu estimar que estes representam aproximadamente 1,6 mil milhões de euros por ano em Portugal.
 

Se a isto se adicionar os gastos com as incapacidades temporárias para o trabalho por doença, que em média representam nove dias por ano em cada doente com dor crónica, e com as reformas antecipadas, conclui-se que “a dor crónica acarreta um custo anual que ultrapassa os três mil milhões de euros, o suficiente para comprar sete submarinos por ano”, disse Castro-Lopes.
 

De acordo com o investigador, os resultados deste estudo “dão uma boa ideia da magnitude de um problema que tem andado um pouco escondido, em grande parte fruto de convicções sobre a inevitabilidade da dor arreigadas na população em geral, incluindo os profissionais de saúde”.
 

As principais causas de dor crónica são as doenças músculo-esqueléticas, com as lombalgias associadas a patologias da coluna e as doenças osteo-articulares dos membros. Estas doenças crónicas frequentemente não têm cura e a dor constitui o principal problema do doente.
 

Actualmente, existem opções terapêuticas, farmacológicas e não-farmacológicas, que permitem controlar a dor na maioria dos casos, de forma a reduzir o seu impacto na qualidade de vida dos doentes.
 

No entanto, o investigador salientou que 35% dos doentes com dor crónica, incluídos no estudo, referiram não estar satisfeitos com a forma como a sua dor estava a ser tratada.
 

Por outro lado, a dor crónica leva a uma redução acentuada da qualidade de vida das pessoas, que vêem o seu dia-a-dia afectado em múltiplas dimensões.
 

O estudo demonstrou que o sono e o descanso são afectados pela dor crónica de forma moderada ou grave em quase 40% dos indivíduos. Além disso, a dor crónica interfere também de forma moderada ou grave nas actividades domésticas e laborais em quase 50% dos casos, e 13% dos doentes obtiveram mesmo a reforma antecipada por causa da dor.
 

O estudo constatou ainda que foi diagnosticada depressão em 17% dos indivíduos com dor crónica, e mais de 20% não tem prazer na vida na maior parte do tempo ou sempre.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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