Mais de 25% de estudantes adolescentes com sintomas de depressão

Estudo realizado no âmbito do programa "+Contigo"

08 outubro 2018
  |  Partilhar:
Um em cada quatro alunos do 7.º ao 12.º ano apresenta sintomas de depressão, com especial incidência nas raparigas, concluiu um estudo da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra.
 
O estudo realizado no ano letivo 2017/2018, no âmbito do programa "+Contigo", envolveu cerca de 6.900 alunos, segundo o coordenador José Carlos Santos, enfermeiro especialista em saúde mental.
 
"Há cerca de 26% de adolescentes que tem sintomatologia depressiva, desde leve a moderada e grave, e destes, 600 (cerca de 40%) estão em risco mais elevado de terem comportamentos auto lesivos", disse o responsável à agência Lusa.
 
De acordo com José Carlos Santos, "há mais vulnerabilidade nas raparigas no que toca à saúde mental, comparativamente com os rapazes, e há mais vulnerabilidade no ensino secundário do que no terceiro ciclo".
 
"Comparativamente aos anos anteriores não há uma melhoria, há alguma estabilidade em termos de números e há um ligeiro aumento da sintomatologia depressiva, sobretudo moderada e grave na avaliação inicial, embora no final tenhamos conseguido reduzir um pouco essa sintomatologia depressiva", sublinhou.
 
"Quem esteve no projeto melhorou o bem-estar, o autoconceito e o coping [processo cognitivo para lidar com situações de stress], resultados muito evidentes de efetividade do programa, sendo de registar que, nas escolas onde o '+Contigo' está implementado, não houve situações de comportamentos suicidários registados", frisou.
 
O coordenador do programa "+Contigo" revelou ainda que está a causar apreensão o que está a acontecer na Irlanda, onde houve um aumento drástico de suicídios de adolescentes entre os 15 e os 19 anos.
 
"A história desses adolescentes tinha uma história que é concomitante com a nossa: são adolescentes que fazem cortes, que não têm nenhum acompanhamento do ponto de vista da saúde e que numa adolescência mais tardia cometem suicídio", referiu José Carlos Santos.
 
"Isso releva a importância deste projeto, o estarmos atentos a estes jovens que não têm contacto com profissionais de saúde, mas que de facto, como a Irlanda demonstrou nestes últimos três anos, são jovens de elevado risco para comportamentos suicidários", concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar