Mais de 150 médicos sem vagas para internato

Alerta da Associação Nacional de Estudantes de Medicina

22 junho 2016
  |  Partilhar:
O processo de escolha de vagas para especialidade médica não garantiu a colocação a 158 médicos, este ano, o que impossibilita a conclusão da formação destes profissionais de saúde, alerta a Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM).
 
Em comunicado enviado à agência Lusa, a ANEM refere que, a somar aos 158 médicos que ficaram sem acesso a especialidade, estão 213 candidatos que anteciparam a não colocação na especialidade pretendida com a sua desistência.
 
De acordo com o presidente desta associação, André Fernandes, o processo de escolha de vagas para internato, que decorreu de 1 a 20 de junho, terminou “com um total de 371 médicos indiferenciados, cujas alternativas são repetir o exame ou emigrar.” Na opinião deste dirigente associativo, nenhumas das opções é positiva, porque “na primeira, estaremos a agravar o problema para o próximo ano e, na segunda, a desperdiçar o investimento feito na formação”. “Poderão alternativamente optar por exercer como indiferenciados, mas nesse caso é o Sistema de Saúde que sai prejudicado”, acrescentou.
 
A ANEM lembra que, até 2015, ano em que, pela primeira vez, se registou um número superior de candidatos para o número de vagas existente, o acesso à especialidade era garantido para todos os médicos candidatos.
 
A Associação destaca que o processo de formação médica não se esgota na pré-graduação, devendo ser completada a nível pós-graduado através do Internato Médico, alertando para “consequências graves e diretas na prestação de cuidados de saúde em Portugal” a médio prazo da criação de médicos indiferenciados que se vêm impossibilitados de terminar a sua formação.
 
A associação entende que a génese do problema está no "desproporcionado aumento dos ingressos nos cursos de Medicina, que continuarão a resultar em graves problemas, quer com a incapacidade formativa das Escolas Médicas, colocando em causa a qualidade do ensino ministrado e a dignidade dos doentes, quer com a posterior falta de vagas para especialização para todos os médicos formados, continuando a gerar médicos indiferenciados".
 
Segundo a ANEM, esta entregou, a 03 de março, uma proposta de Planeamento Integrado da Formação Médica em Portugal, onde se encontram explanadas e fundamentadas as principais barreiras existentes a uma formação médica de qualidade.
 
“As entidades competentes não podem continuar a ignorar a situação. É crucial que tomem medidas, no imediato, para maximizar as capacidades formativas pós-graduadas minimizando, a curto prazo, o impacto negativo da má-gestão que temos vivenciado", alertou a ANEM.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.