Mais cesarianas nos hospitais privados

Estudo aponta não existirem razões clínicas

03 novembro 2004
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O número de cesarianas é muito maior nos hospitais particulares e este facto não se deve ao risco das gravidezes, mas sim a práticas que «põem em causa a ética dos profissionais», concluiu um estudo sobre Fecundidade e Contracepção.«Fecundidade e Contracepção - Percursos de Saúde Reprodutiva das Mulheres Portuguesas» é o nome do livro coordenado pela socióloga Ana Nunes de Almeida, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa a que a agência Lusa teve hoje acesso. Significativa é a percentagem de cesarianas realizadas nos hospitais privados, «consideravelmente mais elevada» do que nos estabelecimentos públicos.A ocorrência de cesarianas nos hospitais públicos era de 27,8 por cento, enquanto nos hospitais particulares a percentagem era de 53,1 por cento, segundo as Estatísticas da Saúde do Instituto Nacional de Estatísticas (INE), citados no estudo.A investigação refere que, «uma vez que esta diferença não pode ser atribuída às características da procura - por exemplo, à frequência de gravidezes de risco - os valores apresentados apontam para práticas, no mínimo, discutíveis do sector privado que, a confirmarem-se, põem em causa a qualidade dos serviços prestados e a ética dos seus profissionais».Já em 1999, a revista «Teste Saúde» da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) alertava para o facto de existirem «crianças a mais a nascer por cesariana», nomeadamente nas clínicas privadas. Na obra, apresentada ontem, em Lisboa, é traçada «a história do avanço da contracepção em Portugal».Fonte: Lusa

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