Maior índice de massa corporal diminui risco de um tipo de glaucoma

Estudo publicado na revista “Ophthalmology”

17 agosto 2010
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A obesidade não está associada a um maior risco de sofrer de glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA), uma das doenças oftalmológicas mais comuns relacionadas com a idade. De facto, um maior Índice de Massa Corporal (IMC) foi associado a um menor risco de desenvolver a variante do GPAA conhecida por “glaucoma de tensão normal” (GTN). O estudo foi publicado na revista “Ophthalmology”.

 

O glaucoma é uma doença complexa que provoca danos no nervo óptico e que pode conduzir à cegueira, sendo o GPAA a condição mais comum. Uma pressão intra-ocular elevada tem sido associada a danos provocados no nervo óptico. Existem actualmente tratamentos eficazes para controlar a pressão intra-ocular elevada e ajudar os pacientes com glaucoma a proteger o mais possível a visão. Contudo, nas pessoas com GTN, os danos do nervo óptico aparecem apesar de não existir pressão elevada, como é definida pelos actuais standards. O diagnóstico e tratamento de GTN representam, por isso, um desafio importante para os oftalmologistas e pacientes.

 

Para o líder da investigação, Louis R. Pasquale, do Massachusetts Eye and Ear Infirmary (MEEI), nos EUA, "entender a relação entre o IMC e outros factores de composição corporal e o GPAA poderá ajudar a resolver alguns mistérios relacionados com esta doença complexa".

 

"É razoável especular sobre a possibilidade de factores controlados a nível hormonal libertados do tecido adiposo ou da massa muscular poderem alterar o risco de GTN nas mulheres. Um IMC maior nas mulheres pós-menopáusicas está relacionado com maiores níveis de estrogénios, que podem afectar positivamente os receptores de estrogénio no nervo óptico", explicou em comunicado de imprensa o líder da investigação.

 

Neste estudo prospectivo, os cientistas tiveram por base a análise do Nurses Health Study (de 1980 a 2004) que recolheu dados de 78.777 mulheres e do Health Professionals Follow-up Study (de 1986 a 2004) que avaliou 41.352 homens.

 

Nas mulheres foi verificado que, por cada unidade a mais de IMC, era registada uma redução do risco de GTN de 6%. Também nas mulheres, ter um maior IMC durante a juventude estava associado a um menor risco de GTN.

 

Nos homens, o IMC não foi associado a GPAA, mas os investigadores advertem que a maioria dos participantes era caucasiano, o que faz com que as conclusões deste trabalho se limitem apenas a este grupo.

 

Para os cientistas, se a relação entre GPAA e IMC e outros factores corporais for sustentada por futuros estudos, estaremos no caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para pessoas com GPAA, sobretudo para os que apresentam a variante GTN desta doença.

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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