Magras podem ter dificuldade em engravidar

Autora norte-americana apresenta tese polémica

02 junho 2002
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As mulheres muito magras têm menos probabilidades de engravidar, alerta um estudo americano intitulado «Fertilidade Feminina e a Conexão com a Gordura».
 

 

Segundo a autora do estudo, Rose Frisch, médica da Universidade de Harvard, mesmo as mulheres que estão ligeiramente abaixo do peso estão sujeitas a apresentar fertilidade reduzida.
 

 

Em entrevista à BBConline, Frisch explicou que perder poucos quilos pode levar á infertilidade, sem que as mulheres se apercebam. «Existe uma linha muito ténue, na qual perder pouco mais de um quilo pode levar uma mulher de dimensões relativamente normais à infertilidade, sem nenhum sinal de que isso aconteceu», afirmou.
 

 

Gordura ajuda fertilidade
 

 

De acordo com a investigadora, para manter o sistema reprodutivo saudável é necessária uma determinada quantidade de gordura. Isto porque, segundo a médica, «se o organismo feminino não receber a quantidade suficiente de calorias, o cérebro gradualmente reduz o fluxo da leptina, a hormona que controla a ingestão de gordura.»
 

 

Frisch desenvolveu uma teoria segundo a qual toda a mulher tem um teor crítico de gordura, abaixo do qual ela corre o risco de comprometer sua capacidade de ter filhos. Para descobrir esse valor, chamado de índice de massa corporal (IMC), cada mulher deve dividir o seu peso, em quilos, pela sua altura, em metros. Segundo a cientista, se esse índice ficar abaixo de 18 ou 19, a mulher deixa de ovular, embora continue a menstruar. Caso continue a emagrecer, apresentando cada vez menor IMC, o ciclo menstrual também tende a ser interrompido.
 

 

Opiniões divergem
 

 

No entanto, nem todos os especialistas em fertilidade concordam com a tese de Frisch quando a autora refere que o ciclo menstrual pode continuar independente da ovulação. Em declarações à BBConline, Adam Balen, da Sociedade Britânica de Fertilidade, explicou que «se uma mulher têm menstruações regulares, pode estar certa de que está tudo bem»
 

 

Partidário da tese de Frisch está Ian Craft, professor do Centro de Fertilidade de Londres, o qual defende a posição da investigadora no que diz respeito à relação entre menstruação e ovulação, mas ressalta que para a análise da fertilidade são necessários outros factores. «Podem existir outros factores como stress e exercício físico que também podem contribuir (para a redução da fertilidade). Isto porque, o corpo tem um equilíbrio muito delicado.»
 

 

Segundo a investigadora, para uma gravidez bem-sucedida, uma mulher precisa de 50 mil calorias a mais do que precisaria normalmente. Durante os estudos, a cientista usou técnicas de ressonância magnética para calcular a quantidade de gordura existente no corpo de várias mulheres. Frisch comparou, por exemplo, as coxas de uma remadora às de uma mulher sedentária, da mesma idade. Apesar de muito musculosa, a atleta tinha entre 30 a 40 por cento a menos de gordura e não menstruava.
 

 

Segundo a professora, este estudo comprova a importância da gordura para a saúde da mulher. «A gordura é um factor extremamente importante para a capacidade reprodutiva de uma mulher e, portanto, deve ser celebrada.»
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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