Mães falam melhor com os seus bebés

Padrão de linguagem é mais claro que o usado pelos pais

09 setembro 2003
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Seja pelo tom de voz ou por saber cantar melhor, a verdade é que, em comparação aos pais, as mães falam melhor com os seus bebés.
 

 

Esta é a conclusão de um estudo o qual mostra que apesar de tanto homens quanto mulheres usarem uma linguagem infantilizada com os seus bebés, o padrão das mulheres é mais claro do que o dos homens.
 

 

Apesar de ainda não se saber quais serão as razões, os especialistas alertam para que a descoberta não deva ser usada como uma desculpa para que os pais descuidem os cuidados com o bebé.
 

 

Para os cientistas, a maior habilidade materna decorre do facto de as mulheres passarem mais tempo com os bebés e aprenderem a qual o padrão vocal a que respondem melhor.
 

 

Para estudar a fala dos pais, um grupo de psicólogos da Universidade de Lehigh, na Pensilvânia, e do Centro de Pesquisas da IBM, em San Jose, na Califórnia, criaram um programa de computador que reage à fala.
 

 

Os bebés reagem mais ao tom da fala do que ao significado das palavras. Então, o programa de computador mediu as propriedades da fala, como ritmo, volume do som e ênfase.
 

 

Depois, os investigadores pediram a seis casais (pai e mãe) que brincassem com os seus filhos e fizessem comentários de aprovação ou de desaprovação, para encorajar os seus bebés ou para alertá-los a ficar longe de objectos perigosos, como instrumentos pontiagudos ou aparelhos eléctricos.
 

 

Ao todo, os cientistas usaram o programa para analisar cerca de 700 trechos da fala. E em 80 por cento dos casos, o programa distinguiu correctamente os comentários de aprovação dos de desaprovação.
 

 

Mas no total de acertos analisados, a fala das mulheres foi 12 por cento maior do que para a fala dos homens, o que, segundo os investigadores, significa que elas usam sons menos ambíguos do que eles ao falar com os seus bebés.
 

 

Gerald McRoberts, o psicólogo da Universidade de Lehigh que liderou o estudo, disse ser possível que os homens tenham características de fala diferentes, que não foram detectadas pelo computador, ou que eles tenham ficado menos relaxados durante os testes. Mas, segundo o especialista, a experiência mostrou inequivocamente que mães e pais falam com os bebés de maneira diferente.
 

 

McRoberts disse que este programa de computador torna mais fácil a análise, dado que seria muito difícil usar bebés durante o estudo. «No mínimo, porque pode fazer um bebé rir ou sorrir várias vezes durante a experiência, mas só poderá fazê-lo chorar uma vez – depois disso, tudo o resto estará acabado», explicou.
 

 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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