Mães e profissionais a tempo inteiro

Estudo conduzido pelos investigadores da Bar-Ilan University

16 agosto 2013
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Apesar de mães e pais despenderem algum tempo ao longo do dia a pensar em assuntos que rodeiam a vida familiar, estes só aumentam o stress e as emoções negativas nas mulheres, sugere um estudo apresentado no encontro anual da American Sociological Association.
 

Na opinião da autora do estudo, Shira Offer, isto ocorre porque as mães têm uma maior responsabilidade no que diz respeito às crianças e assuntos familiares. Quando pensam sobre estes assuntos, tendem a olhar para os aspetos menos negativos, nomeadamente a necessidade de ir buscar os filhos ao infantário ou ter uma consulta no pediatra, porque o seu filho ou filha adoeceu.
 

“Muito do trabalho que fazemos, remunerado ou não, ocorre na nossa mente. Estamos muitas vezes preocupados com as tarefas que temos de fazer, stressamos com receio de as esquecer ou ainda de as não fazer atempadamente. Estes pensamentos e preocupações, o chamando trabalho mental, podem influenciar o nosso desempenho, dificultar a concentração ou mesmo o sono”, explicou a investigadora.
 

De forma a analisar melhor este trabalho mental, a investigadora da Bar-Ilan University, em Israel, contou com a participação de famílias constituídas por 402 mães e 292 pais. A maioria dos participantes tinha um nível elevado de educação, trabalhava, em média, durante períodos alargados de tempo e tinham uma remuneração acima da média. Foram recolhidas informações sobre o conteúdo e contexto das suas vidas quotidianas, assim como as emoções a elas associadas.
 

O estudo apurou que as mães e os pais despendiam um quarto e um quinto do seu tempo, respetivamente, envolvidos no trabalho mental durante o período em que estavam acordados. Isto traduz-se em cerca de 29 e 24 horas por semana de trabalho mental para as mães e pais, respetivamente. No entanto, ambos os pais despendiam cerca de 30% do tempo que estavam a realizar o trabalho mental em tarefas associadas à família. Resultados estes que surpreenderam a investigadora que acrescenta que a diferença do trabalho mental reside mais na qualidade do que quantidade.
 

Relativamente ao facto de o trabalho mental afetar negativamente o bem-estar das mães, a autora do estudo acredita que as expectativas sociais colocam a mulher numa posição de gestora da família e leva-as a resolver os aspetos menos agradáveis da vida familiar.
 

Apesar de os homens despenderam mais tempo no trabalho mental, estes pensam menos no trabalho quando estão num contexto familiar. A investigadora refere que estes resultados, apesar de surpreendentes, podem ser explicados pelo fato de as mães terem muitas vezes de adaptar a sua agenda profissional às necessidades da família, como o facto de ter de ficar em casa quando o filho ou filha está doente. Este tipo de situações leva-as a terem preocupações fora do seu contexto profissional de forma tentar recuperar o tempo “perdido”.
 

Este tipo de situações ilustram bem a sensação tão bem conhecida entre muitas mulheres, a pressão de serem boas mães e simultaneamente boas profissionais.
 

De acordo com a investigadora, este estudo sugere que os pais têm de ter um papel mais ativo nos cuidados familiares, de modo que o trabalho mental seja menos stressante para as mulheres. “É verdade que atualmente os pais estão mais envolvidos nos cuidados das crianças e nas tarefas domésticas do que as gerações anteriores, mas a maior responsabilidade do trabalho doméstico continua a cair desproporcionalmente em cima da mulher, conclui Shira Offer.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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