Luz artificial antes de adormecer relacionada a diversas doenças

Estudo publicado no “The Endocrine Society's Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism”

09 fevereiro 2011
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A exposição à luz eléctrica entre o anoitecer e o deitar elimina fortemente os níveis de melatonina e pode afectar processos fisiológicos regulados pelos sinalizadores desta hormona, tais como a sonolência, termo-regulação do organismo (temperatura), pressão arterial e homeostase da glicose. O estudo foi publicado no “The Endocrine Society's Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism”.

 

A melatonina é uma hormona produzida durante a noite pela glândula pineal, no cérebro. Além do seu papel na regulação do ciclo vigília-sono, a melatonina tem-se mostrado eficaz na redução da pressão arterial e da temperatura corporal, e também tem sido explorada como uma opção de tratamento para a hipertensão, insónia e cancro. Na sociedade moderna, as pessoas estão frequentemente expostas à iluminação eléctrica durante a noite para trabalhar e/ou participar em actividades recreativas e sociais.

 

Este estudo procurou compreender se a exposição à luz eléctrica de um espaço pode no final da noite inibir a produção de melatonina. Segundo o autor do estudo, Joshua Gooley, do Brigham and Women's Hospital e da Harvard Medical School, em Boston, Massachusetts, “o estudo mostra que esta exposição à luz artificial tem um forte efeito supressor sobre a hormona da melatonina. Isto poderá ter, por sua vez, efeitos na qualidade do sono e da capacidade do corpo de regular a temperatura corporal, pressão arterial e os níveis de glicose."

 

Neste estudo, os investigadores avaliaram 116 voluntários saudáveis, com idades entre os 18 e os 30 anos, expostos à luz artificial ambiente ou a uma luz fraca nas oito horas anteriores à hora de dormir, durante cinco dias consecutivos. Um cateter venoso foi inserido no antebraço dos participantes do estudo para a recolha contínua de plasma de sangue a cada 30 a 60 minutos para medições dos níveis de melatonina.

 

Os resultados mostraram que a exposição à luz artificial antes de deitar encurtou a duração da melatonina em cerca de 90 minutos, quando comparada com a exposição à luz ténue. Além disso, a exposição à luz ambiente durante as horas normais de sono suprimiu a melatonina em mais de 50%. "Dado que a supressão leve de melatonina tem sido considerada suspeita de aumentar relativamente o risco de alguns tipos de cancro e que os genes dos receptores de melatonina têm sido associados à diabetes tipo 2, os nossos resultados podem ter implicações importantes para a saúde dos trabalhadores por turnos que são expostos à luz interior, durante a noite, ao longo de muitos anos ".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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