Lúpus: terapia não tóxica coloca doença em remissão

Estudo publicado na revista “Clinical Immunology”

15 novembro 2013
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Investigadores americanos testaram com sucesso uma terapia não tóxica que é capaz de suprimir o lúpus nos indivíduos afetados por esta doença autoimune, dá conta um estudo publicado na revista “Clinical Immunology”.
 

O lúpus é uma doença autoimune crónica caracterizada pela produção de autoanticorpos que atacam e destroem os tecidos saudáveis, causando inflamação, dor e danos em vários órgãos vitais do organismo. De acordo com a Lupus Foundation of America, cerca de 5 milhões de pessoas têm esta doença.
 

Estudos anteriores constataram que a terapia com pequenas proteínas sintéticas não tóxicas, capazes de gerar um tipo de células imunes, as células T reguladoras, bloqueava o lúpus em ratinhos suscetíveis de desenvolverem a doença.  
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Northwestern, nos EUA, contaram com a participação de 30 pacientes com lúpus, 10 num estado ativo e 20 em remissão, e 15 indivíduos saudáveis. Foram retiradas amostras de sangue a todos os participantes, tendo estas sido expostas a doses baixas de peptídeos específicos.
 

O estudo apurou que os peptídeos não só foram capazes de gerar células T reguladoras, mas conseguiram também bloquear e reduzir a produção de autoanticorpos quase para níveis basais, em culturas de amostras de sangue provenientes de indivíduos com lúpus ativo.
 

De acordo com os investigadores, estes peptídeos têm o potencial de funcionar como uma vacina, ao impulsionar o sistema imune regulador, combater os autoanticorpos e manter a doença em remissão.
 

Os esteroides e a ciclofosfamida são os fármacos habitualmente utilizados no tratamento do lúpus, mas mesmo em pequenas doses, estes apresentam efeitos adversos tóxicos. Tal como a quimioterapia, os fármacos utilizados neste tipo de doença podem comprometer a fertilidade e enfraquecer o sistema imunitário. Adicionalmente este tipo de fármacos tóxicos não pode ser administrado indefinidamente.
 

Contudo, este novo tratamento não tóxico funciona como uma vacina, na medida em que os peptídeos são reconhecidos pelo organismo de quase todos os indivíduos. Podendo ser administrado a qualquer indivíduo, com ou sem doença”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Syamal Datta.
 

Os autores do estudo esperam em breve avançar para um ensaio clínico, de forma a demonstrar a eficácia desta terapia em pacientes com lúpus.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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