Lúpus: descoberta pode abrir caminho a novas terapias

Cientistas revelaram como a doença destrói células nervosas

02 novembro 2001
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Um grupo de investigadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein, Nova York (EUA) anunciaram na passada quarta-feira que descobriram como o lúpus destrói o sistema nervoso.
 

 

De acordo com a equipa de investigadores coordenada por Betty Diamond, os anticorpos produzidos pela doença parecem destruir as fibras nervosas quando se ligam a um receptor específico que se encontra na membrana dos neurónios. As conclusões deste trabalho encontram-se num artigo publicado na revista Nature Medicine.
 

 

Lúpus: doença auto-imune
 

 

São três os tipos de lúpus mas todas as formas da doença são crónicas. Trata-se de uma doença auto-imune que causa inflamações em várias partes do corpo, especialmente na pele, articulações, sangue e rins.
 

 

Nas doenças auto-imunes, o organismo perde a capacidade de diferenciar as próprias células de agentes invasores externos como vírus e bactérias, por exemplo. Deste modo, os anticorpos produzidos pelo sistema imunológico não diferenciam as células próprias e atacam as estruturas e órgãos próprios.
 

 

A gravidade do problema pode variar bastante e a doença pode manifestar-se como uma lesão cutânea, artrite ou provocar danos de intensidade diferente nos rins, coração, pulmões e cérebro. Actualmente, o lúpus não tem cura e, embora os homens também sejam atingidos, as mulheres são as mais afectadas, sendo que, nestas, a doença se manifesta, normalmente, na idade fértil.
 

 

O mecanismo pelo qual os anticorpos atacam e destroem as fibras nervosas ainda é desconhecido.
 

 

O que se descobriu sobre o lúpus
 

 

Betty Diamond e seus colaboradores estudaram tecidos humanos e de ratos e descobriram que os anticorpos produzidos quando o organismo é afectado por esta doença se ligam ao um receptor específico existente na membrana dos neurónios. Só depois dos anticorpos se ligarem a esse receptor específico (subunidade NR2 do receptor NMDA) é que se iniciam todos os processos que conduzem à morte dos neurónios.
 

 

Nos seus comentários à agência Reuters relativamente a esta descoberta, Bruce T. Volpe, do Instituto de Pesquisa Médica Burke da Universidade de Cornell (New York), explicou que os anticorpos podem reagir de «forma cruzada». Isto é, os antocorpos podem reagir com moléculas do próprio organismo, reconhecendo-as indevidamente como estranhas e não como próprias. É este «reconhecimento acidental» que provoca a destruição das células próprias do organismo.
 

 

A equipa de Diamond formulou uma hipótese sobre a forma como a doença atinge o sistema nervoso e, de acordo com Volpe, ainda ficam muitas questões sem resposta. Segundo este investigador, o próximo passo deverá ser verificar a frequência com que estes anticorpos se encontram nas pessoas afectadas por lúpus e se a presença dos mesmos se pode associar aos sintomas neurológicos desta doença.
 

 

Especialistas consideram que são necessários mais estudos
 

 

Vários especialistas desta doença já concordaram que se a hipótese levantada por Diamond e seus colaboradores se confirmar, isso pode representar a abertura de um novo caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos para a doença. Mas todos defendem que a investigação deveria alargar-se ao estudo da «reactividade cruzada» noutros tecidos afectados por lúpus, para além do sistema nervoso.
 

 

Os autores deste estudo advertem no artigo publicado na Nature Medicine que estes resultados ainda são preliminares uma vez que o número de pacientes estudado foi muito reduzido.
 

 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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