Livros eletrónicos podem ter impacto no sono

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

29 dezembro 2014
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A utilização de dispositivos eletrónicos que emitem luz, como os livros eletrónicos, antes de dormir pode ter um impacto negativo na saúde, no estado de alerta e no ritmo circadiano, sugere um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
Estudos anteriores já tinham demonstrado que a luz azul, emitida por alguns dispositivos eletrónicos suprimia a melatonina, afetava o relógio biológico e aumentava o estado de alerta. Contudo, pouco se sabia sobre os efeitos desta tecnologia no sono. 
 
De acordo com os investigadores, a utilização, imediatamente antes de dormir, de dispositivos que emitem luz é nociva devido ao forte efeito que a luz tem sobre os padrões naturais de sono/vigília, podendo ter um impacto significativo na perpetuação de problemas de sono.
 
Neste estudo, os investigadores do Hospital Brigham and Women's, nos EUA, decidiram comparar os efeitos biológicos da leitura de um livro eletrónico e de um livro impresso.
 
Ao longo de duas semanas, os investigadores convidaram 12 indivíduos a lerem diariamente livros eletrónicos num iPad durante quatro horas antes de dormir, durante cinco noites consecutivas. Este mesmo processo foi repetido com livros impressos.
 
O estudo apurou que os participantes que leram a partir de um iPad demoraram mais tempo a adormecer, tinham menos sono durante a noite e despendiam menos tempo na fase do sono REM (do inglês, Rapid Eye Movement). Estes participantes também apresentaram uma menor secreção de serotonina, uma hormona cujos níveis aumentam habitualmente durante a noite e que desempenha um papel importante na indução da sonolência.
 
O estudo apurou ainda que os indivíduos que tinham lido através de um iPad tinham um ritmo circadiano atrasado, indicado pelos níveis de melatonina, em mais de uma hora. Os participantes que utilizaram este tipo de suporte eletrónico tinham menos sono antes de dormir, mas estavam mais sonolentos e menos alertas na manhã seguinte, após oito horas de sono. 
 
“Nos últimos 50 anos, tem havido um declínio na média da duração e qualidade do sono. Uma vez que cada vez mais pessoas estão a escolher este tipo de dispositivos para ler, comunicar e para se divertirem, particularmente as crianças e adolescentes que já sofrem de falta de sono, é necessário realizar, com urgência, estudos epidemiológicos que avaliem as consequências a longo prazo destes dispositivos na saúde”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Charles Czeisler.
 
Os investigadores chamam a atenção para a importância destes resultados, tendo em conta alguns estudos recentes que associam a supressão crónica da melatonina através da exposição à luz noturna e ao aumento do risco de cancro da mama, cancro colorretal e da próstata. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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