Livro explica os mistérios da mente masculina

Diferenças são biológicas e não culturais, aponta cientista

23 dezembro 2003
  |  Partilhar:

Por que razão os homens gostam tanto de carros? Por que ele não percebe quantas tarefas domésticas ainda há a fazer? Estas dúvidas sobre a mente masculina, junto com a mais intrigante -- por que razão ele não fala comigo? -- estão sempre na cabeça das mulheres.
 

A resposta para estas perguntas, segundo o filósofo social Michael Gurian, não está na preguiça, na discriminação ou na simples teimosia, mas sim nas diferenças essenciais entre o cérebro dos homens e das mulheres. Os cientistas agora têm a tecnologia para comprovar as diferenças.
 

No livro «Afinal o que Pensam os Homens?», o filosofo combina duas décadas de pesquisas neurológicas, histórias do quotidiano e a própria experiência como terapeuta familiar.
 

Gurian espera que essa abordagem permita a melhor compreensão da mente masculina e o fim do que ele considera ser o perigoso conceito, nascido há 40 anos com o feminismo radical, de que os homens se tornaram simplesmente inúteis.
 

O autor, que em 1996 lançou o importante livro «The Wonder of Boys» e em seguida «The Wonder of Girls» não é um anti-feminista. É casado e tem duas filhas. A sua nova obra explora a ciência cerebral na tentativa de melhorar o relacionamento dos casais.
 

Apesar da cultura ter o seu papel, Gurian afirma que a biologia é muito mais importante do que se pensava. Em entrevista à Reuters, o terapeuta refere que em qualquer sítio que vá proferir conferências, faz questão de mostrar as diferenças através de tomografias. «E as pessoas vêem por si as diferenças entre o cérebro de homens e mulheres. Acho que isso altera a vida e os casamentos».
 

Os avanços tecnológicos são enormes que permitem, nas tomografias e ressonâncias magnéticas, indicar se um homem e uma mulher estão realmente apaixonados, ao medir a actividade dos centros emocionais.
 

Como um guia numa floresta virgem, o livro apresenta aos leigos o complexo mundo da ciência cerebral e relaciona-o a algumas das mais frustrantes fontes de conflitos entre homens e mulheres em relacionamentos prolongados.
 

O cérebro masculino produz menos oxitocina e serotonina que o das mulheres. Por isso, elas acham relaxantes as conversas emotivas no final do dia, enquanto eles, com o cérebro mais cansado, preferem relaxar em actividades «alienantes», como programas desportivos ou filmes de acção.
 

O cérebro masculino, diz o especialista, também é menos atento a detalhes sensoriais que o feminino, por isso o homem não vê ou sente a poeira de casa da mesma maneira. De qualquer forma, os homens atribuem uma identidade menos pessoal ao interior da casa e mais ao local de trabalho e ao jardim - daí a razão pela qual aparentemente ele não liga para o serviço doméstico.
 

Hormonas masculinas, como a testosterona e a vasopressina, induzem o cérebro a ser mais competitivo e a criar hierarquias, na sua constante luta para provar o seu próprio valor e sua identidade. Por isso os homens, paradoxalmente, trabalham mais quando têm filhos, pois sentem que precisam de se afirmar também para a prole.
 

Gurian diz que o público-alvo do seu livro são, especialmente, as mulheres. «Os homens já sabem disso. Vivem com esse cérebro desde sempre, mas não têm a linguagem consciente para explicar.»
 

Gurian afirma que os homens podem adquirir novas capacidades e alterar o seu comportamento, mas nunca poderão atender a todas as expectativas das mulheres.
 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Classificações: 1 Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.