Lítio pode ajudar no tratamento da doença de Alzheimer

Substância usada para tratar depressões bloqueia produção de proteínas

22 maio 2003
  |  Partilhar:

O lítio, usado durante décadas no tratamento da depressão maníaca, bloqueia nos ratos a produção de proteínas que se acumulam no cérebro dos pacientes de Alzheimer, podendo vir a ser útil no tratamento desta doença.
 

 

Um estudo sobre estas experiências feito por investigadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, vem publicado na edição de hoje da revista científica britânica Nature.
 

 

Os autores sublinham no entanto que o lítio, embora bastante usado para tratar doenças mentais, tem muitos efeitos secundários, incluindo danos nos rins, sendo estes problemas mais pronunciados nos idosos, justamente os que enfrentam maior risco de contrair a doença.
 

 

O Alzheimer caracteriza-se pela acumulação no cérebro de duas proteínas, a beta amilóide, fora das células nervosas, e uma outra, a tau, que forma emaranhados nas células.
 

 

Outras terapias possíveis, incluindo uma vacina experimental, bloqueiam ou a produção da beta amilóide ou a da tau, enquanto o lítio parece bloquear ambas, segundo um dos autores do estudo, Peter Klein, da Universidade da Pensilvânia.
 

 

Klein e os seus colegas usaram ratos para produzir em excesso uma proteína que, quando modificada, forma beta amilóide. Muitos cientistas consideram que a acumulação desta proteína causa efeitos debilitantes nesta doença que afecta a memória e as experiências feitas com os ratos mostraram que o lítio ataca este processo.
 

 

Os mesmos cientistas chegaram à conclusão de que o lítio perturba também a modificação da tau. Embora não seja claro o papel que esta proteína desempenha nas células, sabe-se que ela se acumula invariavelmente a par da progressão do Alzheimer.
 

 

A doença afecta cerca de 12 milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se que em Portugal sejam 50.000 esses pacientes, segundo a Associação Portuguesa dos Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer.
 

 

Fonte: Lusa
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.