Lisina, «uma bomba inteligente que mata o anthrax mas nada mais»

Cientistas testam enzima que destrói bactéria em ratinhos

30 janeiro 2003
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Investigadores do Departamento de Defesa dos Estados Unidos estão a testar com êxito em animais uma enzima que mata a bactéria do anthrax, anunciou o serviço de imprensa deste organismo.
 

 

A enzima, lisina, é como «uma bomba inteligente que mata o anthrax mas nada mais», sublinhou John Carney, farmacologista da Agência de Investigação Avançada do Departamento de Defesa norte- americano (DARPA, sigla em inglês), em Arlington (Texas). «Este poderá vir a ser o único tratamento contra o anthrax que não provoca efeitos secundários», disse.
 

 

Carney trabalhou durante três anos com microbiologistas da Universidade de Rockfeller (Nova Iorque) no desenvolvimento de uma terapia médica mais eficaz contra o anthrax.
 

 

Modo de funcionamento
 

 

A lisina ataca o anthrax perfurando a bactéria. Quando o líquido à volta a invade provoca o seu rebentamento, explicou o investigador Actualmente, existem vacinas de protecção contra o anthrax e, para as pessoas não vacinadas e de alguma forma expostas à bactéria, há no mercado vários antibióticos.
 

 

No entanto, além de algumas pessoas serem alérgicas aos antibióticos, estes têm a desvantagem de matarem todo o tipo de bactérias, mesmo as benéficas para o organismo, podendo ainda provocar efeitos secundários como a diarreia.
 

 

Por seu lado, a nova enzima causa muito menos efeitos secundários porque atinge apenas a bactéria desejada. A equipa liderada por Carney deposita grandes esperanças numa terapia experimental à base desta enzima, estando no horizonte ensaios com seres humanos.
 

 

Os ensaios clínicos estão agora a ser avaliados pela Food and Drug Administration (FDA), a entidade que nos Estados Unidos tem a autoridade de aprovar ou não qualquer novo medicamento ou procedimento clínico.
 

 

Bioterrorismo
 

 

O anthrax pode ser uma arma biológica de destruição massiva, já que depois da bactéria entrar no corpo, esta cresce no organismo libertando várias proteínas tóxicas.
 

 

Estes venenos viajam através da corrente sanguínea da vítima, atacando e destruindo o sistema imunitário do corpo, diminuindo a capacidade deste resistir a infecções.
 

 

As vítimas de anthrax não tratadas desenvolvem uma forma anormal de pneumonia, o primeiro sinal clínico da presença da bactéria. À medida que os produtos tóxicos se espalham, enfraquecem o corpo e, em última análise, os órgãos vitais falham, provocando a morte. Existem três formas de contrair a doença: gastrointestinal, cutânea e pulmonar.
 

 

Comer carne infectada (porque o gado também pode ser afectado pela bactéria) causa a variante gastro-intestinal do anthrax, enquanto a forma cutânea acontece quando a bactéria entra no organismo através de um orifício ou de um corte na pele.
 

 

Inalar esporos (forma que a bactéria encontra para sobreviver) de anthrax provoca a variante pulmonar da doença, de todas a mais letal.
 

 

Fonte: Lusa
 

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