Lisboa acolhe 3º Congresso de Medicina Tropical e Saúde Internacional

Num mundo sem fronteiras é cada vez mais difícil confinar doenças a uma determinada região

02 setembro 2002
  |  Partilhar:

 

Lisboa vai acolher, entre 8 e 11 de Setembro, o 3º Congresso Europeu de Medicina Tropical e Saúde Internacional, evento que a organização quer que contribua para reanimar uma área científica que Portugal já dominou.
 

 

"A medicina tropical e a saúde internacional são grandes desafios actuais, na medida em que vivemos num mundo de viajantes e imigrantes", explicou, em declarações à Agência Lusa, Francisco Antunes, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).
 

 

"Por tudo isto, nada impede que as doenças tropicais cheguem à Europa, uma vez que os imigrantes podem transportá-las em si", disse o perito e presidente da organização do congresso.
 

 

O encontro, que vai reunir entre 600 a 800 investigadores europeus e um pouco de todo o mundo (Ásia, África, Médio Oriente) no Centro de Congressos de Lisboa, realiza-se de dois em dois anos sob os auspícios da Federação das Sociedades Europeias para a Medicina Tropical e Saúde Internacional.
 

 

Segundo Francisco Antunes, a vitória da candidatura portuguesa à organização do evento deveu-se ao facto do IHMT comemorar este ano o seu centenário, o que o torna no quarto instituto do ramo mais velho do mundo, depois do de Hamburgo, Liverpool e Londres.
 

 

No entanto, e apesar de pioneiro noutros tempos, "Portugal enfrenta agora uma fase de crise relativamente à medicina tropical", continuou, defendendo a necessidade de revitalizar o interesse por esta área científica.
 

 

"O financiamento de reuniões deste tipo, o apoio à investigação destas doenças e a criação de medicamentos estão muito dependentes da indústria farmacêutica que, por seu lado, precisa de estímulos governamentais para o fazer", disse.
 

 

"É necessário que os políticos queiram investir nesta área para que a sua importância seja reconhecida. Por isso o problema da medicina tropical é mais de ordem política que de ordem médica", continuou.
 

 

Do outro lado da fronteira chega um exemplo a seguir, uma vez que Espanha tem aberto centros de investigação em Moçambique, exactamente virados para esta problemática, indicou.
 

 

"Quando terminou o processo de descolonização Portugal nunca mais se lembrou da importância das doenças tropicais, que erradamente parece julgar confinadas a países longínquos, regiões exóticas, tendo deixado de canalizar investimentos para esta área", acrescentou.
 

 

"Se não houver interesse político não há financiamento", notou, referindo que "a indústria farmacêutica não está interessada porque é constituída por empresas que têm de ter retorno económico do investimento feito".
 

 

"Como os medicamentos desenvolvidos no âmbito destas investigações destinam-se, na maioria das vezes, a países pobres têm de ser outros a assumir o interesse e a atrair o investimento", defendeu.
 

 

A face mais visível da medicina tropical cabe a patologias como a sida, a tuberculose ou a malária, mas num mundo sem fronteiras e em constante movimento é cada vez mais difícil confinar doenças a uma determinada região.
 

 

"Com o aquecimento global do planeta, se calhar podemos estar em risco de uma epidemia de dengue", alertou.
 

 

Além dos benefícios que a investigação nesta área poderá trazer para o próprio país, Francisco Antunes sublinhou a vertente de solidariedade subjacente aos trabalhos nesta área.
 

 

O médico lamentou, a propósito, a inexistência de uma sociedade portuguesa de medicina tropical, à semelhança do que acontece em quase todos os países europeus, nomeadamente os que tiveram interesses em África.
 

 

Fonte: Lusa

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.