Líquido amniótico poderá ajudar no tratamento de danos intestinais

Estudo publicado na revista “Gut”

27 março 2013
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As células estaminais do líquido amniótico poderão ajudar no tratamento de uma doença grave dos intestinos que afeta os recém-nascidos, sugere um estudo publicado na revista científica “Gut”.
 

A enterocolite necrotizante, uma inflamação severa que destrói os tecidos no intestino, é a causa mais comum de emergência cirúrgica dos recém-nascidos. Apesar de o leite materno e dos probióticos ajudarem na redução da incidência da doença, para além da cirurgia ainda não existe atualmente outro tratamento disponível. Contudo, a remoção cirúrgica do tecido morto diminui o intestino e pode conduzir à falência deste órgão. Na verdade, alguns bebés necessitam de alimentação parental ou um transplante de intestino.
 

Neste estudo liderado pelos investigadores do Institute of Child Health, no Reino Unido, foram retiradas as células estaminas do fluido amniótico de ratinhos, o qual foi administrado a animais com enterocolite necrotizante. A um outro grupo de ratinhos foram administradas células estaminais da medula óssea e ao terceiro grupo de ratinhos não foi aplicado qualquer tratamento.
 

O estudo apurou que os ratinhos tratados com células estaminais do fluido amniótico apresentavam, comparativamente com os outros dois grupos, taxas de sobrevivência mais elevadas. Através da análise dos intestinos, os investigadores verificaram que os ratinhos tratados com este tipo de células estaminais tinham níveis de inflamação mais reduzidos, poucas células mortas, maior autorrenovação do tecido do intestino e melhor função intestinal.
 

Estudos anteriores já tinham demonstrado que as células estaminais da medula óssea ajudavam a reverter os danos do cólon, na doença do intestino irritável, através da regeneração dos tecidos. Contudo, os efeitos benéficos associados à terapia com células estaminais na enterocolite necrotizante parecem funcionar através de um mecanismo distinto. Os autores do estudo verificaram que após a sua administração no intestino, as células estaminas do líquido amniótico moviam-se para as vilosidades intestinais. Contudo, em vez de repararem o tecido danificado diretamente, estas células estaminais produzem fatores de crescimento específicos que atuam nas células progenitoras no intestino. Como resultado há uma redução dos níveis de inflamação e desencadeamento da formação de novas vilosidades e outros tecidos.
 

“Já era conhecido que as células estaminais tinham efeitos anti-inflamatórios, mas esta foi a primeira vez que se demonstrou que as células estaminais do líquido amniótico poderiam ajudar a reparar danos nos intestinos. Esperamos que, no futuro, estas células sejam amplamente utlizadas na terapia e na investigação, particularmente para o tratamento de malformações congénitas”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Paolo De Coppi.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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