Lípido bloqueia infecção por influenza

Estudo publicado no “Journal of Respiratory Cell and Molecular Biology”

14 novembro 2011
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Um lípido presente nos pulmões, o POPG (palmitoil-oleoil-fosfatidilglicerol) inibe a infecção por influenza, dá conta um estudo publicado no “Journal of Respiratory Cell and Molecular Biology”.
 

O vírus influenza infecta milhões de pessoas em todo o mundo, matando cerca de 500 mil indivíduos por ano. As vacinas existentes são altamente eficazes, mas têm que ser reformuladas para combater as novas estirpes de vírus que vão surgindo todos os anos. Duas classes de fármacos estão actualmente disponíveis para tratar as infecções por influenza, apesar de já se ter desenvolvido alguma resistência.
 

Estudos anteriores já haviam identificado, no fluído dos pulmões, algumas proteínas que inibem a actividade viral. Porém, até recentemente, o papel antiviral do POPG ainda não era conhecido. Outros estudos, levados a cabo pela mesma equipa de investigadores do National Jewish Health, haviam demonstrado que este lípido reduz a inflamação nos pulmões e impede a infecção por vírus sincicial respiratório.
 

Os cientistas liderados por Mari Numata foram agora investigar se o POPG era capaz de inibir a infecção de duas estirpes de influenza, o H1N1-PR8 e o H3N2. O estudo revelou que este lípido impede a resposta inflamatória, a propagação do vírus, e a morte celular normalmente associada a infecção por influenza. Em experiências realizadas com ratinhos, o POPG também impediu a infecção e a replicação viral e reduziu drasticamente a resposta inflamatória ao vírus. Não se observaram quaisquer efeitos colaterais do POPG no comportamento animal ou na histopatologia.
 

Em comunicado enviado à imprensa Mari Numata revelou que “lípidos como o POPG, oferecem mais vantagens do que as proteínas antivirais, porque são menos propensos a provocar respostas imunes indesejáveis, são quimicamente mais estáveis e a sua produção é menos dispendiosa. Como o POPG é eficaz contra, pelo menos, dois vírus, também parece pouco provável que uma única mutação, que pode tornar as vacinas e os medicamentos actuais contra a gripe ineficazes, possa ter o mesmo efeito sobre a acção do POPG.”
 

Os investigadores verificaram que este lípido se liga às partículas virais, impedindo assim a ligação e a infecção das células. O que significa que o POPG funciona melhor se for administrado antes de a infecção ocorrer. Contudo, também é capaz de funcionar após a infecção ter iniciado através da inibição da disseminação do vírus para as células infectadas.
 

Um dos autores do estudo, Dennis Voelker, conclui que o POPG “poderia ser uma abordagem importante, barata e inovadora para a prevenção e tratamento da gripe e de outros vírus responsáveis por infecções respiratórias.”

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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