Linfedema do braço: realizada cirurgia pioneira

Doença afeta 50% das mulheres submetidas a mastectomia

23 novembro 2016
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Esta semana o Serviço de Cirurgia Plástica e Unidade de Microcirurgia do Hospital Gaia/Espinho realizou uma cirurgia pioneira no país para o tratamento do linfedema do braço, uma doença que afeta cerca de 50% das mulheres submetidas a mastectomia.
 
Gustavo Coelho, que introduziu esta técnica em Portugal, revelou à agência Lusa que esta “é uma cirurgia que permite a reconstrução do sistema linfático que é lesionado durante a cirurgia de mastectomia (remoção completa da mama), em doentes com cancro da mama”.
 
Segundo o especialista, o tratamento consiste no transplante de gânglios linfáticos do pescoço/cervical para o punho, recorrendo a técnicas microcirúrgicas.
 
O linfedema do membro superior é a complicação mais frequente pós-mastectomia, com uma prevalência elevada, podendo atingir cerca de 50% das doentes submetidas a mastectomia.
 
Os doentes submetidos a mastectomia são também submetidos, frequentemente, à excisão dos gânglios linfáticos. Este procedimento torna-se necessário porque existe a possibilidade de algumas células cancerígenas poderem ficar alojadas nesses gânglios. Essa remoção vai tornar o processo de retorno da linfa (fluído linfático) ao sistema circulatório mais lento, o que pode conduzir a um inchaço/edema no braço.
 
A segunda cirurgia com esta nova técnica foi realizada esta semana, mas a primeira doente operada, no passado mês de outubro, Rosa Carvalho, de 52 anos, que se deslocou ao hospital para o curativo, explicou que “as melhoras já são muitas, o braço desinchou e o peso e as dores são muito menores”.
 
Rosa Carvalho apresentava um linfedema grave do braço esquerdo após a realização de uma mastectomia por cancro da mama, realizada há cinco anos.
 
“O médico explicou-me que ia ficar com o braço mais leve, mais magrinho, mas que a recuperação será gradual. Eu já sinto melhoras”, afirmou Rosa Carvalho.
 
A doente contou que “o peso era de tal forma que já não conseguia comer de faca e garfo, tinha de pousar o braço na mesa. Hoje já o consigo fazer, embora ainda sinta a tendência de pousar o braço”.
 
O cirurgião Gustavo Coelho referiu que, “do ponto de vista estético, temos um membro com um volume duas a quatro vezes maior, mas também do ponto de vista funcional as doentes têm uma limitação muito grande”.
 
“Os benefícios desta técnica são óbvios, com uma franca melhoria dos sintomas, como dor, melhoria significativa e duradoura da deformidade do membro afetado, mobilidade, e um retorno da qualidade de vida que, infelizmente, estes doentes perdem com a progressão desta doença”, explicou o especialista.
 
A maioria dos linfedemas dos membros superiores desenvolve-se entre o primeiro e o segundo ano após a cirurgia oncológica, havendo, no entanto, observações clínicas de aparecimento tardio, mais de dez anos após a terapêutica inicial.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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