Ligação mãe filho afetada pelas noites que passam separados

Estudo publicado no “Journal of Marriage and Family”

25 julho 2013
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A ligação afetiva da criança com a mãe é afetada pelas noites que estas passam separadas, sugere um estudo publicado no “Journal of Marriage and Family”.
 

Os bebés têm uma necessidade inata de estarem ligados aos seus cuidadores, especialmente com os seus pais. Contudo, no caso da partilha da custódia estes têm que estar por vezes afastados dos seus progenitores. As ligações afetivas são definidas como vínculo emocional profundo e duradouro entre a crianças e seu cuidador, o qual é desenvolvido no primeiro ano de vida do bebé, explica a primeira autora do estudo, Samantha Tornello.
 

As ligações afetivas criadas ao longo deste período servem de base para o desenvolvimento de relações saudáveis e das relações que se têm mais tarde na vida, incluindo na idade adulta. A investigadora refere que há cada vez mais pais que vivem separados e que têm a guarda partilhada dos seus filhos. Esta partilha da custódia dos filhos tem de ser definida em tribunal. Contudo, os juízes tomam estas decisões, relativas à custódia das crianças, sem realmente saberem o que é melhor para a criança. Tendo em conta os resultados obtidos neste estudo, Samantha Tornello questiona se não seria melhor para as crianças passarem a noite apenas com um dos pais ou pelo menos estas trocarem de habitação com menos frequência.
 

Este estudo, levado a cabo pelos investigadores da Universidade de Virgina, nos EUA, contou com a participação de 5.000 crianças, cujos pais foram entrevistados na altura do seu nascimento, ao primeiro e terceiro ano de idade. Foram também realizadas avaliações nas habitações das crianças aos um e três anos.
 

O estudo apurou que os bebés, com menos de um ano de idade, que passavam pelo menos uma noite por semana longe das suas mães tinham ligações mais inseguras, em comparação com aqueles que passavam poucas noites ou que estavam com o pai apenas durante o dia. Foi observado que 43% dos bebés que passavam semanalmente uma noite longe das mães tinham ligações inseguras com estas, comparativamente com os 16% dos outros bebés.
 

Relativamente às crianças que tinham entre um e três anos de idade, os resultados encontrados foram um pouco menos dramáticos. Uma maior ligação insegura foi associada com uma maior frequência de noites passadas longe da mãe, mas os resultados encontrados não foram estatisticamente significativos.
 

Na opinião da investigadora as crianças deveriam ter ligações afetivas estáveis com os dois pais, mas no caso das separações a criança deveria ter pelo menos uma ligação segura. “O importante é ter um cuidador constante”.
 

Um outro autor do estudo, Robert Emery, defende que o contacto com os pais deveria ocorrer com frequência e regularidade durante o dia e as noites longe do seu cuidador principal deveriam ser minimizadas nos primeiros anos, sendo gradualmente equilibradas entre os dois pais perto da idade pré-escolar.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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