Ligação entre parasita endémico em África e cancro da bexiga comprovada

Descoberta realizada por investigadores portugueses

04 agosto 2009
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A ligação entre um parasita endémico em África e o cancro da bexiga foi revelada em dois estudos portugueses complementares e publicados em duas revistas científicas internacionais aos quais a agência Lusa teve acesso.

 

A schistosomose, também conhecida como bilharzíase, é uma doença potencialmente fatal que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), infecta cerca de 200 milhões de indivíduos e é endémica em 76 países em desenvolvimento. Esta doença é contraída através do contacto da pele com águas doces contaminadas, sendo por isso desaconselhada a natação em lagos e rios, nomeadamente no Egipto, um dos países em que a doença é mais endémica.

 

A infecção é particularmente relevante pela sua associação ao cancro da bexiga, já que nas regiões endémicas para a espécie do parasita o cancro da bexiga é o mais comum nos homens e o segundo mais comum nas mulheres, constituindo 30% de todos os cancros.

 

De forma a compreender a associação entre esta infecção e o cancro, os investigadores do Centro de Imunologia e Biologia Parasitária (CIBP) do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) trataram células em cultura com extractos de proteínas do parasita. O estudo publicado no “International Journal for Parasitology” revelou que as células tinham alterações semelhantes às que se encontram em células tumorais, nomeadamente crescimento rápido, resistência à morte celular programada e capacidade anormal para migrar através de tecidos.

 

Num segundo estudo, publicado no “International Journal of Experimental Pathology”, os investigadores injectaram as mesmas células tratadas com extratos de proteínas do parasita em ratinhos que não tinham imunidade celular nem linfócitos T. Como grupo de controlo, foram também injectadas células não tratadas em ratinhos com sistema imune deficiente. Os investigadores observaram que, ao contrário dos animais injectados com células não tratadas, aqueles que foram injectados com as células tratadas com extracto proteico desenvolveram tumores.

 

Mónica Botelho, que participou nos dois estudos, revelou à agência Lusa que esta descoberta poderá ajudar a esclarecer outras associações entre infecções crónicas e cancros cujos mecanismos não estão ainda totalmente esclarecidos, dada a identificação de moléculas que poderão estar envolvidas na carcinogénese destes processos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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