Leucemia vs. Cura

O cancro volta a atacar

21 junho 2001
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Um medicamento muito prometedor fabricado especificamente para tratar a leucemia mielóide crónica (LMC) foi inutilizado por alteração na forma da proteína atacada.
 

 

O STI-571 foi cuidadosamente fabricado para encaixar perfeitamente num local crucial de uma proteína hiperactiva que causa LMC. A LMC compreende 15% dos casos de leucemia e é devida a uma proteína anómala bcr-abl codificada por dois genes fundidos que provoca a proliferação de leucócitos, ou glóbulos brancos, malignos.
 

 

Os primeiros testes clínicos com esta nova substância terapêutica foram surpreendentes, com cerca de 90% dos doentes em estádios iniciais da doença a demonstrarem regressão. Numa segunda fase, em que foram testados pacientes em estádios mais agudos, ocorreu uma recidiva na maioria deles. Foram-se tornando cada vez mais resistentes ao tratamento, apagando qualquer esperança de uma cura milagrosa.
 

 

Os cientistas descobriram, por análise de tecido de pacientes insensíveis ao tratamento, que a resistência ocorre devido a uma mutação numa única base do gene que codifica a proteína anómala produzindo-se uma proteína com configuração ligeiramente diferente e na qual o medicamento deixa de ser eficaz. Noutros pacientes, o gene multiplicou-se várias vezes o que levou a uma maior produção da proteína e redução da eficácia terapêutica.
 

 

Em vez de desencorajar, estes resultados deram novas luzes aos cientistas acerca dos mecanismos da doença. Numa fase posterior estes vão estudar outros casos para ver se estes fenómenos são a regra geral para todos os casos de LMC. A mutação desvendou múltiplos genes desconhecidos que seriam muito mais difíceis de identificar como responsáveis por esta doença se esta resistência não tivesse ocorrido. Assim, o alvo continua a ser o mesmo, a arma é que deve ser refinada.
 

 

Com os resultados desta nova investigação novas substâncias serão desenhadas para compensar a mutação genética. Há também a intenção de desenvolver testes genéticos que serão efectuados ao paciente no início do tratamento para decidir qual o melhor tratamento a administrar.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Nature

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